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Gigantismo: a doença rara que causa crescimento descontrolado

O corpo humano é de uma complexidade fascinante, e uma das fases mais interessantes do desenvolvimento de uma pessoa é a infância. O problema é que nem sempre esse desenvolvimento ocorre da forma adequada e, nesses casos, doenças como o gigantismo podem surgir, assustando os pais e a própria criança.

Imagine que a criança é como um bolo. O bolo não cresce sozinho, sem estímulo, é preciso que você coloque fermento na receita. O nosso organismo tem algo que se assemelha ao fermento. Trata-se do chamado “hormônio do crescimento” (GH).

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Se o corpo da criança produz muito desse hormônio, ela vai ter um crescimento acelerado e descontrolado, resultando em uma estatura desproporcional. Talvez você esteja pensando: “qual é o problema de a criança ser alta?”. A resposta é nenhum. O empecilho é que a produção exagerada de GH gera vários problemas físicos à pessoa.

Por que o corpo produz em excesso o hormônio do crescimento?

Essa produção excessiva é causada por um problema na hipófise. Esta é uma glândula localizada na base do nosso cérebro e, como todas as outras, ela tem papel fundamental na produção dos hormônios, nesse caso, no do crescimento.

Quando a hipófise não está saudável, a produção hormonal fica comprometida. Em 98% dos casos de gigantismo, o problema é causado pela presença de tumores benignos nela.

Além do hormônio do crescimento, outra substância que tem sua produção alterada por uma hipófise doente é o IGF-1, também conhecido como somatomedina ou fator de crescimento semelhante à insulina tipo I, produzido no fígado.

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

O problema no tratamento desse tumor é que a Ciência ainda não tem uma resposta que explique o que o causa. Acredita-se que essa condição acontece devido a alterações no ácido desoxirribonucleico (DNA) do indivíduo. Em 2015, um estudo que contou com a participação da Universidade de Brasília sugeriu que o gigantismo é causado pela duplicação de parte do cromossomo X.

Gigantismo ou acromegalia: qual é a diferença?

O gigantismo é uma doença rara que atinge 60 pessoas a cada 1 milhão. A fase em que mais se manifesta é durante a infância ou adolescência, porque as cartilagens de crescimento ainda não estão totalmente formadas — isso possibilita que o crescimento aconteça mais livremente.

(Fonte: Barcroft/Reprodução)(Fonte: Barcroft/Reprodução)

Contudo, um adulto também pode ter tumores na hipófise. Nesse caso, ele também terá aumento na produção de hormônio de crescimento, mas como seus ossos não podem mais crescer, a doença deixa de ser gigantismo e passa a ser chamada de acromegalia. Mesmo assim, os sintomas das duas condições são os mesmos:

  • crescimento das mãos, pés, orelhas, nariz, genitais, lábios, afastamento dos dentes, perda dentária, alargamento da testa e queixo proeminente;
  • pele oleosa e acne;
  • aumento do suor;
  • alterações oftalmológicas, cardiorrespiratórias, endócrinas, musculoesqueléticas e neurológicas.

O diagnóstico é feito por meio de um exame sanguíneo que verifica o nível de GH e de IGF-1 no sangue. Caso seja notada alguma alteração, serão solicitados exames para verificar a presença de tumores na hipófise.

Qual é o tratamento para a doença?

O tratamento para o gigantismo e para a acromegalia pode incluir cirurgia para retirada dos tumores, radioterapia e medicamentos. No Brasil, o acompanhamento médico e cirurgias são cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Se você notou algum sintoma em seu filho ou em si mesmo, procure atendimento médico. Você pode buscar um clínico geral ou um endocrinologista – que é o médico especialista em glândulas endócrinas.

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