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2 mistérios médicos que ainda assombram a ciência

Enquanto muitas condições médicas são bem conhecidas e fáceis de serem diagnosticadas, outras permanecem um mistério total. Alguns casos podem parecer banais a princípio, como uma simples alergia, apenas para acabar se revelando um verdadeiro enigma.

Segundo dados do World Health Organization (WHO), existem cerca de 8 mil doenças raras no mundo, a maioria delas de base genética. E em uma estimativa bem grosseira, uma em cada 15 pessoas poderia ser afetada por qualquer uma delas. 

Um estudo publicado na Revista Europeia de Genética Humana confirmou, em 2019, que 300 milhões de pessoas no mundo convivem com algum tipo de doença rara, desde acordar um dia com um sotaque estrangeiro até ficar preso no corpo e na mente de uma criança, apesar de estar envelhecendo fisicamente.

Conheça a seguir dois grandes mistérios médicos que existem ainda hoje:

1. Alergia a água

(Fonte: BBC/Reprodução)(Fonte: BBC/Reprodução)

Apesar de o corpo humano ser composto por cerca de 60% de água, existem pessoas que são totalmente alérgicas a água, uma condição médica extraordinária chamada urticária aquagênica.

Como mostrou uma matéria do Daily Mail, a australiana Ashleigh Morris é uma das poucas portadoras da doença no mundo (até 2014, apenas 50 pessoas foram diagnosticadas formalmente), com a qual lida desde seus 14 anos. Ainda que possa consumir água para hidratação normalmente, ela não pode chegar perto da água, senão sua pele fica irritada de tal maneira que parece que foi queimada, podendo surgir graves erupções cutâneas.

"Houve muitas ocasiões em que tive tanta coceira que minha pele sangrou. A dor é insuportável", disse Morris, então com 19 anos, ao Daily Mail em 2008.

A urticária aquagênica foi descrita pela primeira vez em 1964 e costuma surgir durante a puberdade. Sua causa ainda é um total mistério para medicina moderna, que não consegue identificar se a fonte é uma resposta tóxica quando a água toca a pele ou se existe uma extrema sensibilidade aos íons que carrega.

2. Memória autobiográfica

(Fonte: Genetic Literacy Project/Reprodução)(Fonte: Genetic Literacy Project/Reprodução)

O cérebro é a parte do corpo que menos possui conclusões científicas devido à sua complexidade. Em séculos de medicina, pouca coisa ainda se sabe sobre o órgão, principalmente com relação ao processamento das memórias.

E isso faz parte da condição chamada Memória Autobiográfica Altamente Superior (HSAM na sigla em inglês), caracterizada pela capacidade de um indivíduo em recordar com muita precisão detalhes de experiências diárias que ocorreram ao longo de sua vida desde o momento em que nasceu.

O médico James McGaugh, professor de neurobiologia e comportamento na Universidade UC Irvine, foi o responsável por levantar os estudos sobre o fenômeno quando recebeu um e-mail de Jill Price, em meados dos anos 2000, em que revelou: "Sempre que vejo um flash de alguma data na televisão, automaticamente volto para aquele dia e lembro onde estava, o que estava fazendo, em que dia caiu". 

Price descreveu a experiência como "constante, incontrolável e totalmente exaustiva".

(Fonte: Conocer Salud/Reprodução)(Fonte: Conocer Salud/Reprodução)

As pesquisas feitas por McGaugh e outros especialistas que ingressaram na jornada para tentar determinar como a doença funciona mostram que os portadores de HSAM tendem a ter traços obsessivos, e isso pode desencadear ataques ocasionais de depressão e ansiedade.

Além disso, a HSAM não é determinada como uma memória fotográfica, visto que os portadores não têm memória avançada quando se trata de lembrar de nomes ou rostos.

“Não sou bom com nomes ou com detalhes mundanos, por exemplo, se escovei os dentes hoje ou onde coloquei minhas chaves”, admitiu Joey DeGrandis à Time em 2017. Os dados de 2017 mostram que menos de 100 pessoas foram formalmente reconhecidas como portadoras de HSAM.

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