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Herpes labial é mesmo uma doença genética?

O herpes labial, um incômodo familiar para muitos, é uma condição que afeta um vasto número de pessoas globalmente. Mais de 3 bilhões de indivíduos carregam o vírus que desencadeia aquela temida sensação de formigamento que precede a infecção.

Apesar da causa doença ser conhecida, uma questão intrigante persiste: será que a genética desempenha um papel significativo nesse incômodo comum?

O que é herpes labial?

(Fonte: Getty Images)(Fonte: Getty Images)

O herpes labial é uma condição causada pelo vírus herpes simplex tipo 1 (HSV-1), e é caracterizada pelo surgimento de bolhas na região dos lábios. Em um processo que dura cerca de 10 dias, as bolhas se formam, estouram e criam uma crosta.

Embora não represente uma ameaça grave à saúde de jovens e adultos, a infecção pode ser uma experiência desconfortável e dolorosa para os afetados. Além disso, a condição é altamente contagiosa, transmitida por meio do contato direto com as bolhas ou os fluidos corporais infectados, o que requer cuidados específicos para evitar sua disseminação.

Como a infecção começa?

A exposição ao sol pode ativar o vírus. (Fonte: Getty Images)A exposição ao sol pode ativar o vírus. (Fonte: Getty Images)

A ativação do HSV-1 é um fenômeno complexo que pode ser desencadeado por diversos fatores ambientais, incluindo doenças, exposição ao sol, estresse e menstruação. Esses elementos desempenham um papel crucial na manifestação do vírus e na frequência das erupções. Contudo, avanços recentes nas pesquisas revelam uma perspectiva fascinante que liga diretamente a suscetibilidade ao herpes labial à genética individual.

Estudos científicos identificaram genes específicos que desempenham um papel essencial na resposta imunológica ao vírus HSV-1. Destacam-se a apolipoproteína E-?4 e a IL28b, cujas variações genéticas podem influenciar a capacidade do sistema imunológico de controlar a ativação do vírus. Além disso, a variação no Gene-1 de suscetibilidade ao herpes labial emerge como um componente crucial, impactando diretamente a frequência e a intensidade das erupções após a infecção pelo HSV-1.

A relação com o beijo

(Fonte: Getty Images)(Fonte: Getty Images)

Pesquisadores têm aprofundado a compreensão da história genética do HSV-1, sugerindo uma intrigante conexão entre sua prevalência e a prática ancestral do beijo humano. As pesquisas apontam para a emergência de uma cepa de herpes aproximadamente cinco mil anos atrás, um marco que se alinha de forma notável ao início da tradição do beijo entre os humanos. A correlação temporal entre a expansão da prática do beijo e o aumento na disseminação do vírus oferece uma visão esclarecedora sobre a coevolução entre o HSV-1 e os comportamentos sociais humanos.

Além de ser um incômodo global, o herpes labial revela-se um fenômeno complexo e multifacetado. Enquanto fatores ambientais desempenham um papel significativo em sua ativação, pesquisas apontam cada vez mais para uma conexão genética inegável. A compreensão da influência dos genes pode abrir caminho para abordagens mais eficazes no tratamento e na prevenção da doença.

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