Por que eu emagreço um monte e engordo tudo de novo ?
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Por que eu emagreço um monte e engordo tudo de novo ?

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Se você já deu uma espiada em determinados canais da TV a cabo, deve ter assistido a algum reality show que mostra a luta dos participantes para perder peso. Enquanto você está sentado confortavelmente no seu sofá, é impossível não se sentir impressionado e até mesmo motivado com todo o esforço e o trabalho físico que levam pessoas a perder até 100 kg.

Mas você já pesquisou o que acontece com esses participantes quando o programa acaba? Infelizmente, a grande maioria dos concorrentes acaba voltando à forma antiga ou mesmo ganhando ainda mais quilos.

Através desses casos, foi possível traçar um estudo sobre a fisiologia da obesidade, que tenta explicar por que as pessoas lutam, muitas vezes sem sucesso, para não recuperar o peso que perderam.

Participante do The Biggest Loser

Durante seis anos, o cientista Kevin Hall, especialista em metabolismo do Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais, acompanhou os competidores do “The Biggest Loser”, reality show da NBC. Seu projeto foi o primeiro a analisar o que acontece, anos depois, com as pessoas que perdem uma grande quantidade de gordura em pouco tempo.

Notícias não tão boas

Os resultados dos estudos são impressionantes e mostram como o corpo luta para recuperar o peso eliminado. Hall explica que tudo está ligado ao metabolismo de repouso, que determina quantas calorias uma pessoa queima quando está parada. No início do programa, os competidores – mesmo que muito fora de forma – estavam com o metabolismo proporcional ao seu tamanho. 

Porém, quando tudo acabou, o metabolismo havia abrandado radicalmente e, por consequência, o corpo passou a não consumir calorias suficientes para manter a silhueta mais esguia. Este resultado foi totalmente correspondente a o que foi notado no caso do campeão do reality: ele tinha o metabolismo mais lento ao final da competição.

Quando você emagrece, o seu corpo luta para recuperar o peso eliminado

No entanto, o que realmente chocou os pesquisadores foi descoberto muito tempo depois: com o passar dos anos, o metabolismo dos participantes simplesmente não se recuperou, ao contrário, tornou-se até mais lento. Era como se o corpo fizesse esforço para ganhar mais quilos e voltar à forma anterior.

Danny Cahill entrou no programa com 195 kg. Em sete meses, ficou com apenas 86 kg e se transformou no grande campeão. Porém, a alegria durou pouco: seu metabolismo desacelerou tanto que ele logo recuperou 45 kg e hoje precisa ter cuidado redobrado com tudo o que come.

A realidade biológica

O Dr. Michael Schwartz, pesquisador na Universidade de Washington, afirma que não importa se você está na TV perdendo uma quantidade enorme de gordura: você não pode ficar longe da sua realidade biológica. Isso significa que, enquanto você estiver abaixo do seu peso anterior, o seu corpo vai tentar levá-lo de volta.

Com a perda de peso, o metabolismo dos participantes ficou lento

Ao ser questionado, Dr. Robert Huizenga, médico do programa, disse que esperava que as taxas metabólicas dos participantes caíssem – mas não tanto. Ele explicou que os competidores são instruídos a fazer ao menos nove horas de exercícios físicos por semana, além de monitorar a alimentação. Porém, conta que muitos são incapazes de manter uma rotina saudável, seja por falta de condições financeiras ou apoio.

Com este estudo, os pesquisadores pretendem desenvolver novas terapias para tratar da obesidade, mostrando que emagrecer e manter o peso engloba muito mais que apenas “força de vontade”.

Nesta mesma vertente, muitos cientistas acreditam que a manutenção do peso deve ser tratada isoladamente da perda. Assim, é preciso resolver os desafios de maneira separada para obter sucesso na luta contra a obesidade.

O cérebro e as calorias

O cérebro tem relação direta com a quantidade de calorias que consumimos

O Dr. Lee Kaplan, pesquisador na Universidade de Harvard, explica que o cérebro tem relação direta com a quantidade de calorias que consumimos.

Em seus estudos anteriores, Dr. Michael Rosenbaum, que colabora na pesquisa do Dr. Hall, exemplificou o ganho de peso da seguinte forma:

"Nós comemos cerca de 900 mil a 1 milhão de calorias em um ano e as queimamos diariamente – exceto aquelas irritantes 3 mil ou 5 mil calorias, que resultam em um ganho médio de 1 kg. A diferença entre o valor calórico ingerido e o quanto gastamos costuma ser pequena, entre 10 e 20 calorias por dia. Entretanto, o acumulo por anos pode ser devastador para o nosso organismo.”

Mesmo com vários estudos na área, ainda não está claro se o motivo pelo qual há um desequilíbrio maior conforme vamos envelhecendo está relacionado apenas a idade ou a mudanças no estilo de vida e no ambiente.

A combinação de fome incessante e metabolismo em desaceleração resultará em recuperação do peso

Durante uma pesquisa, Dr. Hall analisou um grupo de pessoas que ingeriam Canagliflozina, uma droga para diabetes. A medicação fez com que os pacientes perdessem, em média, 360 calorias por dia pela urina, sem que notassem a mudança. Aqueles que tomaram a droga gradualmente perderam peso. Porém, logo passaram a ingerir 200 calorias diárias a mais.

Para o Dr. Hall, estas calorias extras eram mais responsáveis pela volta à forma anterior que o metabolismo lento. Ou seja, a menos que as pessoas lutem contra o cérebro constantemente, vão acabar recuperando o peso.

Isso não significa que é impossível emagrecer, mas que as pessoas respondem de formas diferentes a dietas ou exercícios físicos. Para Dr. Ludwig, cortas as calorias não é a resposta: “As pessoas não podem ignorar os sinais biológicos primordiais restringindo calorias e esperar perda de peso a longo prazo. Para a maioria, a combinação de fome incessante e metabolismo em desaceleração resultará em recuperação do peso.”

“A dificuldade em manter o peso reflete a biologia, não uma patológica falta de força de vontade”, conclui o Dr. Rosenbaum. 

*Publicado em 10/05/2016

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