Você consegue imaginar como era viajar de avião nas décadas de 50 e 60?
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Você consegue imaginar como era viajar de avião nas décadas de 50 e 60?

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As décadas de 50 e 60 foram muito relevantes para o transporte aéreo, tanto que são consideradas por muitos como a Era de Ouro da Aviação. Logicamente, as viagens eram muito diferentes do que conhecemos hoje.

Então, para descobrir algumas curiosidades sobre a aviação nessa época, John Brownlee, redator do site Fast Company, conversou com Guillaume de Syon – professor da Albright College, na Pensilvânia, e especialista na história da aviação. Não deixe de conferir e fique por dentro de tudo o que mudou desde então!

Passagens que valiam ouro

O primeiro ponto que diferencia as viagens das décadas de 50 e 60 da atualidade é o preço das passagens. Não que hoje em dia elas sejam exatamente baratas, mas nada se compara com o preço que elas tinham anos atrás.

Só para se ter uma ideia, na década de 50 as passagens chegavam a custar 40% ou mais do que pagamos hoje. Em 1955, um bilhete de ida e volta de Chicago até Phoenix (uma distância de cerca de 2.700 quilômetros) custava 138 dólares, que, se ajustado de acordo com a inflação, equivale atualmente a 1.168 dólares.

Hoje, a mesma passagem custa em torno de 1% do salário anual de um americano. Naquela época, uma pessoa poderia investir até 5% dos seus ganhos anuais apenas para poder viajar de avião. “Dependendo da rota, era quatro ou cinco vezes mais caro voar durante a Era de Ouro. Se você fosse uma secretária, gastaria o salário de um mês inteiro por um voo de curta distância”, explica de Syon.

Fonte da imagem: Reprodução/Wall Street Journal

Perigo a bordo

Depois de pagar cinco vezes mais, o que você espera é ter muito mais conforto e segurança, não é mesmo? Pelo contrário! Os passageiros daquela época tinham, na verdade, cinco vezes mais chances de sofrer um acidente. Os dados apontam que atualmente a cada 100 mil horas de voo, ocorrem 1,33 fatalidades, enquanto em 1952, a cada 100 mil horas de voo, ocorriam 5,2 mortes, sem contar que o número de passageiros aumentou 42 vezes nos últimos 60 anos.

O principal motivo da falta de segurança era o desenvolvimento precário da tecnologia. “Não era seguro pousar na neblina, então aconteciam muitos acidentes. Colisões no ar também eram comuns. Os motores caiam dos aviões com tanta frequência que isso não chegava a ser considerado um acidente se o outro motor permitisse um pouso seguro”, explica de Syon.

Ainda, os baixos tetos das aeronaves e o design dos cintos de segurança poderiam oferecer riscos caso o avião enfrentasse uma turbulência ou sofresse uma queda. Também era comum que paredes de vidro dividissem a primeira classe e a classe econômica. Embora fossem bonitos, esses acessórios poderiam estilhaçar em caso de acidentes. Na Era de Ouro da Aviação, até mesmo uma simples caminhada até o banheiro poderia ser fatal, já que a segurança dos aviões não era uma questão importante.

Tédio sem fim

A vista de cima das nuvens é linda e isso todo mundo sabe. Mas chega uma hora em que você não aguenta mais ficar olhando pela janelinha, não é mesmo?! Hoje contamos com distrações como gadgets, música e até mesmo filmes e jogos em voos mais longos.

No entanto, nada disso estava disponível algumas décadas atrás – os filmes só foram ganhar popularidade em meados dos anos 60 e não era possível ouvir música com fones de ouvido nos voos até 1985. Qual era o ponto alto das viagens de avião nas décadas de 50 e 60, então? Escrever cartões postais!

“Lá nos anos 50, você recebia cartões postais quando embarcava. Eles tinham fotos do avião ou da refeição que seria servida”, observa o professor. A tradição era aproveitar todo aquele tempo ocioso para escrever para as pessoas no solo um pouco sobre o voo. Porém, quando todos os seus cartões acabassem, não havia muito mais o que fazer. Restavam revistas, jornais e livros e algumas companhias aéreas, como a Air France, tentaram pendurar quadros nas paredes das aeronaves para que os passageiros pudessem observar, mas parece que isso não deu muito certo.

Fonte da imagem: Reprodução/Fast Company

Bebidas e cigarros

Diferentemente de hoje, na Era de Ouro da Aviação o passageiro podia fumar e beber durante o voo. Cigarros, cachimbos e charutos podiam ser livremente consumidos enquanto a aeronave estivesse no ar. Porém, no solo era proibido, já que as companhias aéreas acreditavam que a fumaça poderia incendiar o gás liberado pelo combustível durante o reabastecimento da nave.

Além disso, acontecia de alguns passageiros passarem dos limites com a bebida, que também era liberada. Embora não haja registros de violência, ocorriam alguns comportamentos inadequados – tropeçar, cair, assediar as aeromoças, cantar alto e vomitar eram os mais frequentes.

Segregação racial

Outro fator negativo da aviação nas décadas de 50 e 60 que tende a ser esquecido, mas foi apontado por Guillaume de Syon é o racismo: “Eu acho importante ressaltar que na Era de Ouro da Aviação apenas pessoas brancas realmente voavam”.

O que acontecia no ar era apenas um reflexo do que estava acontecendo na sociedade. Um dos motivos pelo qual pessoas negras raramente viajavam de avião era a economia. Em 1950, o salário anual médio de um afrodescendente era 1.471 dólares. Já um homem branco chegava a receber o dobro dessa quantia. E, se nos lembrarmos de que as passagens eram muito caras, o que fazia com que as viagens de avião fossem praticamente um artigo de luxo, ficava fácil entender porque não era algo acessível às minorias.

Mas, além da questão financeira, a segregação também acontecia nas companhias aéreas: “Na década de 50, algumas companhias aéreas treinavam suas telefonistas para identificarem a voz de afro-americanos e então colocá-los em voos determinados. Foi somente no final dos anos 60 e na década de 70 que as coisas começaram a mudar. Pode ter sido a Era de Ouro da Aviação, mas também foi uma era racista”, relata o especialista.

Fonte da imagem: Reprodução/Fast Company

Sempre tem o lado bom

Logicamente, viajar de avião durante a Era de Ouro da Aviação estava longe de ser uma experiência negativa. Existia uma série de mimos e pequenos luxos que eram oferecidos aos passageiros e que não existem mais hoje em dia.

Enquanto as companhias aéreas recomendam que seus passageiros cheguem ao aeroporto com um grande prazo de antecedência, décadas atrás as empresas ofereciam mais tranquilidade para seus clientes, garantindo que conseguiriam pegar seu voo se chegassem com apenas 30 minutos de antecedência.

Ao embarcar, era possível notar que as aeronaves tinham mais espaço entre as poltronas, proporcionando mais conforto durante a viagem. “Na verdade, a classe executiva de hoje é espacialmente muito semelhante ao que a classe econômica costumava ser”, explica de Syon. Uma vez que você estivesse a bordo, poderia esperar um serviço melhor por parte das aeromoças, já que eram mais atendentes para um número menor de passageiros.

Além disso, todos os detalhes durante o voo eram pensados para criar uma experiência incrível: o visual das cabines, o uniforme dos tripulantes, a louça e os utensílios utilizados para servir as refeições eram itens que haviam sido desenvolvidos pelos melhores designers do mundo.

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