A seleção artificial, também conhecida como reprodução seletiva, é uma boa maneira de dizer que os seres humanos têm guiado a evolução de outros animais até que estes se tornem “mutantes”.

Com o passar dos séculos, a humanidade viu muitas raças diferentes de cães, gatos e até cavalos surgirem por conta de cruzamentos feitos em cativeiro por cientistas ou criadores que queriam experimentar a produção de novas espécies.

No entanto, em alguns casos, junto com as características que favorecem a aparência, vêm também alguns problemas de saúde ou fatores que não chegam a prejudicar os exemplares, mas não deveriam ter aparecido. Isso também acontece com outros tipos de animais.

Por exemplo, os pombos comuns, que voam por todas as cidades, arrulhando em todos os lugares, fazem a alegria de crianças, é verdade, mas nada muito além, não é verdade? Nós simplesmente os ignoramos ou apenas damos aquela espantada quando eles enchem a calçada em nosso caminho.

Mas se tirarmos um tempo para observá-los, podemos notar uma variedade surpreendente de cores, formas do corpo e dos bicos. Esta diversidade incrível foi impulsionada pela seleção artificial, sendo que os pombos selvagens são os descendentes de aves cuidadosamente criadas que escaparam do cativeiro para vaguear nossas cidades.

Evolução

De fato, a diversidade dos pombos urbanos foi o que primeiro inspirou Charles Darwin a contemplar a teoria da evolução. Mas o que a seleção artificial está fazendo hoje pelos animais domésticos, que ainda estão intimamente conduzidos por criadores humanos?

Uma das características mais universais de animais domésticos é a permanência de fatores infantis em sua aparência, chamada pedomorfismo. Isto permite que animais adultos (incluindo os humanos) com cabeças, orelhas e olhos maiores, tenham (por exemplo) mandíbulas menores e comportamento juvenil.

Essa característica tende a surgir ao lado da domesticação. Os animais que são mais amigáveis e têm mais aceitação aos seres humanos muitas vezes apresentam estas outras características, mesmo quando os criadores selecionam apenas por simpatia. Os seres humanos não param de tornar os animais amigáveis e, de certa forma, infantilizados.

Os homens passaram milhares de anos aperfeiçoando a aparência e a personalidade dos animais domesticados para as nossas preferências e gostos, sem nunca realmente ter uma compreensão dos mecanismos genéticos que estavam em jogo.

Em alguns casos, a ciência não sabe realmente o que fazer com que algumas mutações que se tornaram um pouco radicais e problemáticas. Apesar de que algumas dessas mudanças sejam funcionais, algumas delas parecem prejudiciais às espécies em muitos aspectos. As histórias desses cinco exemplares que você verá mais a seguir oferecem uma perspectiva fascinante sobre como a evolução funciona (ou não).

1 – Pombo-de-Budapeste

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Algumas décadas de intensa seleção artificial levaram a um pássaro com um bico muito curto, olhos mais protuberantes e um pequeno crânio. Outra característica desse pombo é que ele apresenta um comportamento de “queda”, que faz com que ele se incline para trás durante o voo ou da tentativa de voo.

Esse fator parece estar ligado a anomalias de serotonina nas aves, levando ao que pode essencialmente ser chamado de apreensão de voar. E, justamente por essa característica, é que essa ave se tornou procurada para quem gostar de criar espécies raras e ter algum animal considerado “exótico” em casa.

2 – Canário Gibber Italicus

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Assim como o pombo domesticado, os canários foram criados seletivamente por algumas centenas de anos. E nesse tempo, os criadores obtiveram esse pássaro relativamente indefinido, de aparência não muito bonita, mas com um belo timbre para cantar.

Atualmente, os criadores podem controlar tudo, desde a formação do esqueleto, o número de penas e textura delas (duras ou macias), além da extensão e estilo de canto do pássaro.

Mas o que os criadores não conseguiram ainda é criar um híbrido fértil entre o canário e o pintassilgo vermelho, para apresentar a coloração de pena avermelhada na espécie. O problema é que em processos intensivos de cruzamento, algumas vezes pagam um preço caro.

No caso desses canários, eles podem sofrer dolorosos (ou até mortais) processos de penas encravadas e podem exibir também alta suscetibilidade a infecções e lesões.

3 – A galinha “depenada”

Quem olha para essa imagem, logo pensa naquele frango prestes a ser colocado no forno. Pois, essa galinha que você vê acima, não ficou assim “depenada” porque lhe arrancaram as penas e sim porque ela é dessa forma durante toda a sua vida.

Essa espécie carrega uma única mutação recessiva que provoca uma falta de quase todas as penas do corpo, devido a uma falha de padronização da pele durante o processo embrionário. Esta linha mutante espontânea, descrita pela primeira vez na década de 1950, tem sido amplamente utilizada para explorar as interações teciduais envolvidas na formação do apêndice ectodérmico em pele embrionária.

Além disso, o traço é potencialmente útil na agricultura tropical, devido à capacidade de frangos sem penas em tolerar o calor, que é atualmente um dos principais problemas para a produção eficiente de carne de aves em climas quentes.

4 – Peixe “Olho-de-Bolha”

Esta espécie foi criada especificamente para ornamentação, levando a uma incrível variedade de formas e tamanhos estranhos. Mas, o mais estranho neste peixe são seus grandes olhos em forma de bolha.

Não só este peixe crescer enormes sacos cheios de líquido sob os seus olhos (que ele pode inflar e esvaziar), como ele também tem algumas más formações, como os olhos virados para cima, uma espinha curvada severamente e nenhum nadadeira dorsal. Outras variedades desse peixe crescem escamas deformadas ou mesmo sem nenhuma escama, grandes saliências nas cabeças e até com duas caudas.

5 – Cabra de Damasco

Ironicamente, esta raça de cabra rotineiramente ganha prêmios de "Cabra Mais Bonita do Mundo" em competições do Oriente Médio. Estas cabras foram criadas para ter focinhos e mandíbulas inferiores extremamente curtos.

Não está claro exatamente o que provoca esta mutação extrema na cabra. Outra mutação incomum em cabras domésticas causa "desmaios", que são, na verdade, períodos de rigidez muscular extrema que são provocadas pelo susto.

Esta condição, chamada miotonia congênita, é causada por uma mutação que altera a estrutura dos canais de cloro nas células do músculo permitindo a ruptura da sinalização do músculo, que por sua vez causa prolongadas contrações intensas nos músculos.

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Embora pareça que as mudanças físicas nesses animais inicialmente ocorreram na maior parte como uma consequência não intencional da seleção para a domesticidade, não demorou muito para que os seres humanos começassem a criação de algumas das mais estranhas criaturas que povoam o planeta Terra. Você se lembra de outra espécie estranha criada pelo homem? Conte para nós!