King Kong: filme foi baseado em caça real por dragões-de-Komodo

Uma jornada perigosa em uma ilha pouco explorada até então, com a presença de profissionais de museologia e exploradores, tendo como objetivo capturar os primeiros espécimes de um animal exótico para levá-lo ao Ocidente pela primeira vez.

Essa parece — e de fato é — a sinopse de uma adaptação de King Kong, a produção cinematográfica norte-americana sobre a fúria de um primata de proporções gigantescas, retirado de seu habitat natural para ser exibido como um espetáculo nos Estados Unidos. 

Entretanto, ela também bate com uma história real sobre os temidos dragões-de-Komodo, que serviu como uma das inspirações para a criação desse clássico das telonas.

Dragão-de-komodo.Dragão-de-komodo.

Às vésperas do embate Godzilla vs. Kong, que estreia em 31 de março de 2021, o site Slate resgatou essa história.

Jornada para o desconhecido

Em busca de novos animais para estudo e exibição, o Museu Americano de História Natural contratou em 1926 o aventureiro William Douglas Burden. Só que essa fama ainda não estava construída: naquele período, ele havia acabado de obter o grau de mestre na Universidade de Columbia, especializando-se em herpetologia, o ramo da zoologia dedicado aos répteis e anfíbios. 

A partir desse período, ele foi contratado para fazer diversas expedições em regiões até então pouco documentadas em vídeo, como ilhas tropicais e do Ártico.

Burden.Burden.

Mas o que mais se destaca em seu currículo foi a viagem feita para uma ilha próxima da Indonésia, lar dos perigosos dragões-de-Komodo. Eles já foram estudados na década anterior por pesquisadores ocidentais, mas nenhum exemplar fora capturado e levado para laboratórios por europeus ou americanos antes. 

Foi essa a tarefa aceita por Burden, junto da própria esposa, Catherine White Burden, e de um cinegrafista.

A caçada

Na ilha de Komodo, o casal Burden e a equipe conseguiram atrair alguns dos lagartos gigantes usando carcaças de búfalos, servindo de isca para uma armadilha. Ao se aproximarem para se alimentar, eles foram alvejados por tiros disparados pelo pesquisador — a ideia era levar os animais vivos, mas os métodos utilizados não eram exatamente muito avançados.

Um vídeo da expedição e do momento do abate de um dos dragões-de-Komodo foi registrado em câmera e foi cedido pelo museu.

O vídeo foi projetado em exibições privadas em Nova York e, ao todo, dois espécimes foram levados ainda vivos para os Estados Unidos. Apesar de já conhecidos pelos acadêmicos, esses animais ainda eram vistos como verdadeiros monstros pelo público em geral, que conheciam apenas relatos e ilustrações do réptil.

Os dragões-de-Komodo são envoltos em informações curiosas. Donos de uma mordida tão forte como a de um crocodilo que contém substâncias venenosas na saliva, eles possuem uma pele extremamente resistente e são capazes de engolir animais inteiros em uma refeição.

A exposição dos dragões-de-Komodo no museu.A exposição dos dragões-de-Komodo no museu.

Eles ficaram por algum tempo em exibição no Zoológico do Bronx e geraram filas de curiosos, mas morreram pouco tempo depois.

Ambos foram preservados pelo Museu Americano de História Natural e, depois de empalhados, passaram a fazer parte da exibição permanente do local.

Onde entra o King Kong?

A parte cinematográfica da história começa com Merian C. Cooper, um aviador que também se aventurou em Hollywood. Ele era amigo de Burden e, inspirado pelos eventos narrados, começou a trabalhar em um novo roteiro.

Assim, nasceu o filme King Kong, de 1933, contendo uma expedição para uma ilha pouco explorada, uma mulher entre uma equipe normalmente composta por homens na época e a captura de animais exóticos para exibição na "cidade grande". A diferença está no espécime em questão e no tamanho, sem contar o pânico causado pela fuga do gorila.

King Kong (1933).King Kong (1933).

Cooper foi codiretor, coprodutor e colaborador da história inicial — e, segundo a sua biografia, é bem provável que as aventuras na ilha de Komodo tenham inspirado as aventuras de Kong.

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