As atrocidades cometidas por Josef Stalin

Mao Zedong (1893-1976), Benito Mussolini (1883-1945), Augusto Pinochet (1915-2006), Adolf Hitler (1889-1945) e Josef Stalin (1878-1953) são apenas alguns dos nomes de ditadores políticos que tentaram reescrever a História para benefício próprio por questões e interesses políticos.

O ser humano sempre teve uma inclinação para isso. Leopold von Ranke (1795-1886), um dos pioneiros da pesquisa histórica moderna, disse que a história não se trata apenas de descobrir como isso realmente aconteceu, mas também de como pensamos sobre o passado e nossa relação com ele. O passado, afinal de contas, pode estar morto, mas a história está viva, e é construída no presente.

O extremismo político e o negacionismo histórico distorcem os valores sobre o passado para disputas, ambos imaginando que estão, finalmente, apresentando a suposta "verdade" que os livros históricos e a mídia tendenciosa têm ocultado da sociedade. Mas qual seria ela? Quem determina o conceito de verdade?

No final das contas, os defensores de ambos os vieses ideológicos, de esquerda e direita, jogam tanto a culpa de seu próprio passado um para o outro, como a "Bruxa de Stephen Sondheim", que não percebem que todos fazem parte da mesma obscuridade histórica e política que norteia o passado.

Em Direita e Esquerda: Razões e Significados de uma Distinção Política, o filósofo, político e historiador italiano Norberto Bobbio (1909-2004) afirma que as ideologias opostas encontram pontos de convergência em suas alas radicais, já que ambos os movimentos têm muito em comum.

Criando monstros

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Em uma coluna do The Washington Post de 1947, o escritor Leonard Lyons (1906-1976) publicou a fala do líder comunista Stalin: “Se apenas um homem morre de fome, isso é uma tragédia. Se milhões morrem, é apenas uma estatística”.

Apesar de o ditador não ter sido uma pessoa que olhava com algum tipo de afeto para a humanidade, contudo, ele estava disposto a ir mais longe para examinar o futuro dela. Conforme indica um estudo científico publicado pela Universidade de Cambridge, Stalin aprovou o programa do biólogo Ilya Ivanov (1870-1932) que visava cruzar humanos com macacos.

A especialista chegou a viajar até a Guiné para coletar amostras para realizar seu bizarro experimento. Ele conseguiu inseminar três chimpanzés com esperma humano, mas ficou desapontado que nenhum deles foi capaz de conceber uma criança.

(Fonte: Anomalien/Reprodução)(Fonte: Anomalien/Reprodução)

Ainda que não haja respostas para o motivo do projeto, especula-se que Stalin visava criar uma espécie de superguerreiro mutante que pudesse liderar um exército invencível. “Quero um novo ser humano invencível, insensível à dor, resistente e indiferente à qualidade dos alimentos que come”, disse Stalin a Inanov, segundo o The Scotsman.

O ímpeto teria sido motivado pelas baixas desenfreadas que seu Exército Vermelho vinha sofrendo na Segunda Guerra Mundial. Por outro lado, uma segunda hipótese sugere que Stalin esperava criar uma classe trabalhadora forte e dócil, que seria mais facilmente manipulável.

Contudo, a ambição dele e do biólogo não parou por aí. Quando os experimentos falharam, o homem teve a ideia de fazer o contrário: inseminar mulheres com esperma de chimpanzés. Sabendo que não haveria nenhuma voluntária para um teste tão doentio como aquele, ele recrutou mulheres africanas sob o pretexto de que receberiam tratamentos médicos íntimos.

Ivanov foi impedido de realizar o experimento por Paul Poiret, o então governador-geral da Guiné Francesa, que também divulgou ao mundo o que o biólogo e Stalin tramavam, causando uma avalanche de protestos internacionais.

Genocida e pedófilo

(Fonte: eBiografia/Reprodução)(Fonte: eBiografia/Reprodução)

Aparentemente, o sangue de cerca de 20 milhões de pessoas em suas mãos não foi o suficiente para Stalin, ele teve que levar sua notória "mulherenguice" para outro nível: a predação sexual.

Aos 35 anos, o ditador soviético teve um caso com Lidia Pereprygina, uma garota órfã de apenas 13 anos que vivia com os irmãos em um vilarejo isolado, perto do Círculo Polar Ártico. Stalin a conheceu quando estava exilado de sua casa na Geórgia por suas atividades revolucionárias.

(Fonte: The Siberian Times/Reprodução)(Fonte: The Siberian Times/Reprodução)

A jovem terminou se vendo forçada a cozinhar para ela e Stalin, como se fosse sua esposa, durante todo o tempo em que tiveram relações. Conforme uma matéria do London Evening Standard, tudo piorou quando Lidia engravidou do ditador, e um policial local ameaçou Stalin de iniciar um processo criminal por ele morar com uma garota menor de idade.

Lidia acabou tendo um aborto durante a gravidez, só para que Stalin a engravidasse novamente. Contudo, ele não esperou pelo nascimento da criança, desaparecendo no meio da noite e deixando a jovem adolescente à própria sorte com o fruto de uma violência sexual em seu ventre.

A crueldade sem limites

(Fonte: Gazeta do Povo/Reprodução)(Fonte: Gazeta do Povo/Reprodução)

Entre 1932 e 1933, o Holodomor, uma fome que devastou a Ucrânia Soviética causada pela combinação de uma seca severa, implementação caótica de coletivização forçada de fazendas, e o programa de requisição de alimentos executado pelas autoridades soviéticas — cerca de 3 milhões de pessoas morreram por culpa de Stalin.

Até hoje a Federação Russa alega que tudo foi apenas um "desastre natural", enquanto fica claro que Stalin armou uma tragédia para punir o povo por protestar contra a agricultura coletiva.

Entre 1936 e 1938, o ditador implementou o Grande Expurgo, que assassinou em segredo 750 mil pessoas, e enviou milhares para gulags. A princípio, as vítimas foram rivais políticos, mas depois camponeses, minorias, artistas, cientistas, intelectuais e escritores entraram para as estatísticas.

(Fonte: Gazeta do Povo/Reprodução)(Fonte: Gazeta do Povo/Reprodução)

Como se tudo isso não fosse o suficiente, Stalin atribuiu aos filhos de suas vítimas novos nomes, privando as pessoas de rastrearem ou honrarem seus pais quando cresceram. Aquele "povo desonroso" que, para o homem, morreu por justa causa, foi esquecido para sempre.

Apesar desses e tantos outros horrores, uma pesquisa feita pelo Levada Center em 2019 indicou que 51% dos russos disseram que gostam, admiram ou respeitam Josef Stalin. Afinal de contas, ele também ajudou a derrotar a Alemanha nazista, esteve do lado vencedor da Segunda Guerra Mundial e empurrou a então União Soviética para a posição de superpotência.

Para Matthew Payne, professor especializado em ensino de história moderna russa e soviética na Emory University, em Atlanta, os piores estudantes históricos da humanidade são aquelas pessoas que sentem que estão do lado de um anjo. E os comunistas que apoiaram Stalin pensavam que estavam do lado de um.

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