Seja o primeiro a compartilhar

5 línguas mortas que ainda 'conversam' conosco

Quando falamos em idiomas antigos, o latim deve ser a primeira sugestão que vem à mente, não é mesmo? Contudo, há um mar de línguas que se perderam com o tempo, muitas das quais nos afetam até hoje. 

Estas não são apenas línguas esquecidas, mas línguas que moldaram culturas, influenciaram religiões e deixaram um legado que transcende o tempo. Vamos lembrar de cinco línguas que, mesmo depois de terem silenciado, continuam a ecoar em nossa sociedade.

1) Hebraico bíblico

O hebraico bíblico deu origem ao hebraico moderno. (Fonte: GettyImages/ Reprodução)O hebraico bíblico deu origem ao hebraico moderno. (Fonte: GettyImages/ Reprodução)

Antes do Holocausto lançar sua sombra sobre o mundo e levar consigo muitos falantes do hebraico, o hebraico bíblico já estava na encruzilhada do esquecimento. Mesmo sendo uma das línguas que narraram os eventos contidos na Bíblia, sua trajetória mudou graças a diversos conflitos. 

Com a drástica destruição do Segundo Templo (monumento construído no mesmo local onde havia o Templo de Salomão) no ano 70 d.C., e após o imperador romano Adriano devastar a Judeia na guerra contra Bar Kokhba, em 135 d.C., a língua bíblica foi se perdendo ao passo que seus falantes eram dizimados.

Os judeus sobreviventes continuaram a usar o hebraico apenas na forma escrita, principalmente no estudo do Torá.  Mesmo não sendo mais a língua do dia a dia, ela ressurge nas raízes do hebraico moderno, mantendo-se viva nas tradições e na interpretação original da Bíblia.

2) Sânscrito

Poucas línguas podem reivindicar o título de mais antiga do mundo e o sânscrito é uma delas. Embora tenha caído no silêncio por volta de 600 a.C., sua influência permanece arraigada em algumas religiões asiáticas. 

Como uma das línguas oficiais da Índia, o sânscrito continua a ser uma testemunha silenciosa das escrituras antigas, uma peça-chave nas fundações do budismo, hinduísmo e jainismo. Mesmo não sendo mais falado no cotidiano, sua presença é inegável na riqueza filosófica e espiritual do subcontinente indiano.

3) Cóptico

O copta é baseado no alfabeto grego modificado. (Fonte: GettyImage/ Reprodução)O copta é baseado no alfabeto grego modificado. (Fonte: GettyImage/ Reprodução)

Há quase dois milênios o copta era a língua única e cristalina do Antigo Egito, escrita boa parte com o alfabeto grego. Hoje, mesmo superado pelo árabe, o copta sobrevive como a provável primeira língua cristã, tendo sido dominada por um bom tempo apenas por membros do clero e por pesquisadores (tal qual aconteceu com o latim). 

O copta, ao que indicam os estudiosos, nasceu de quatro bases: os hieróglifos, o demótico, o hierático e o grego. Seu eco ressoa em textos religiosos, ligando o passado cristão ao presente e provando que, mesmo em meio às sombras, uma língua pode continuar a iluminar.

4) Acadiano

Do coração da Mesopotâmia surge o acadiano, reconhecido como a primeira língua semítica. Apesar de ter desaparecido por volta do século VIII a.C., seu legado vive através do hebraico e do árabe, as línguas semíticas modernas. 

O acadiano era feito em escrita cuneiforme. (Fonte: GettyImages/ Reprodução)O acadiano era feito em escrita cuneiforme. (Fonte: GettyImages/ Reprodução)

Além disso, o acadiano foi um dos pioneiros na escrita cuneiforme, permitindo que seus escritos resistissem ao teste do tempo. Hoje, arqueólogos e linguistas mergulham na escrita cuneiforme para aprender o acadiano e desvendar os segredos de uma língua que moldou civilizações.

5) Aramaico

Intitulada "a língua de Jesus Cristo", o aramaico não apenas testemunhou sua era, mas também a transcendeu. Originário de Aram, sobreviveu a quedas de impérios e conquistou boa parte do Oriente Médio, sendo usada principalmente no comércio e na administração. Ainda, é um dos três idiomas que constituem a Bíblia.  

Apesar de ter enfrentado a ameaça da extinção, pesquisadores modernos garantem sua preservação. Hoje, o aramaico, em suas formas antigas e modernas, continua a sussurrar os ensinamentos do passado, sustentando o legado de uma língua que transcendeu sua própria época.

Você sabia que o Mega Curioso está no Instagram, Facebook e no Twitter? Siga-nos por lá.