De saco cheio: como o corpo sabe quando parar de produzir esperma?
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De saco cheio: como o corpo sabe quando parar de produzir esperma?

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O ser humano, assim como outros seres vivos, é uma máquina de reprodução. Ou seja, podemos entender que a função mais importante que temos entre nosso nascimento e nossa morte é gerar indivíduos e perpetuar nossa espécie. Pelo menos fisiologicamente falando.

Assim, os órgãos responsáveis pela produção de células reprodutoras masculinas, os testículos, precisam não só trabalhar duro para manter a reserva sempre em dia, mas também com bastante precisão para que o estoque vitalício de espermatozoides (microgametas) não se esgote antes da hora.

Para entendermos como isso acontece, devemos saber como os testículos funcionam. São eles que produzem os bilhões de células reprodutoras que são geradas durante toda uma vida. Isso é feito a partir de células-tronco, que possuem uma grande capacidade de se reproduzirem e de se tornarem outras células quando necessário.

O nascimento dos espermatozoides

São os testículos que decidem quais células-tronco vão apenas se reproduzir gerando novos corpos do mesmo tipo e quais vão se tornar espermatozoides. Para isso, o corpo envia uma quantidade de ácido retinoico para os testículos, e a reação dessa substância com as células-tronco é que vai definir o futuro delas.

Algumas células-tronco possuem uma proteína que se encaixa perfeitamente com o ácido retinoico. Outras não a possuem, portanto não reagem na presença dessa substância. As células cuja proteína é compatível se transformam em microgametas e as outras continuam produzindo mais células-tronco.

Essa diferença de compatibilidade entre elas foi notada por pesquisadores japoneses em testes com ratos. Ao alterar as células-tronco e transformar uma delas, que originalmente não se encaixava com o ácido retinoico, em uma célula compatível, ela acabava tornando-se um espermatozoide quando estimulada.

O segredo da (re)produção

Resumindo, o sinal recebido pelas células para virarem espermatozoides é sempre o mesmo e afeta todas elas ao mesmo tempo – o que diferencia é essa pré-disposição que algumas possuem para virar células reprodutoras. Quando o corpo sente que precisa fabricar mais microgametas, mais células-tronco compatíveis são feitas. Quando o estoque vai bem, obrigado, a produção naturalmente diminui para não esgotar antes do necessário.

Esse é o ponto no qual a ciência se depara com uma rua sem saída: ainda não sabemos como o corpo faz para definir se a demanda deve aumentar ou diminuir. Nada que alguns anos de novas tecnologias não possam resolver.

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