Cientistas descobrem “gene termostático” em vacas anãs
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Cientistas descobrem “gene termostático” em vacas anãs

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Com o aumento do clima na Terra, um dos principais animais afetados é o gado. Nisso, os fazendeiros do mundo inteiro não conseguem custear o preço da criação, o que afeta também o valor da revenda do animal e de seus derivados. No entanto, os cientistas podem ter encontrado uma solução para contornar o problema: criar vacas anãs resistentes ao calor.

Recentemente, os pesquisadores descobriram duas variedades dessa espécie que são muito boas em aguentar altas temperaturas, pois possuem um “gene termostático”. A pesquisa foi feita por uma equipe da Kerala Veterinary and Animal Sciences University, na Índia.

As vacas anãs – como as da raça vechur e kasaragod – são muito resistentes, visto que aguentam o calor e produzem leite mesmo em situações desfavoráveis. “As variações de cruzamentos mais caros podem desmaiar ou até morrer durante períodos quentes ou muito húmidos”, explica E. M. Muhammed, expert em genética e reprodução animal.

“Nossa espécie típica de vaca consegue aguentar melhor as mudanças climáticas, pois possui um termômetro genético”, diz o pesquisador. Uma vez que a Índia costuma sofrer com constantes ondas de calor e períodos de seca, os governantes de outros estados e fazendeiros têm buscado uma alternativa em Kerala, visando assim aprender mais sobre a criação de gado anão.

Além disso, esse tipo de animal está ganhando popularidade entre os fazendeiros daquele país, pois consomem menos água e comida do que as variedades de cruzas comuns. Em geral, os camponeses precisam apenas de uma ou duas vacas anãs para alimentar suas famílias.

A vaca do futuro

Normalmente as vacas da raça vechur medem 90 cm e pesam cerca de 130 kg, sendo capazes de produzir até três litros de leite por dia. Outra vantagem é que elas são menos suscetíveis à mastite – uma doença comum no rebanho leiteiro.

Na Índia, os fazendeiros costumam perder aproximadamente US$ 40 milhões (mais de R$ 126 milhões) por ano devido à doença que atinge principalmente as miscigenações do gado. Todavia, embora a vaca anã possua muitas vantagens, ela ainda encontra dificuldades de adoção pelos keralianos.

No censo de 2012, só 7% dos pecuaristas declararam criar essa espécie, sendo que no total existem 2,3 milhões de cabeças de gado por lá. Uma das razões apontadas é que as raças menores possuem quase o mesmo valor dos híbridos – sem contar que estes, quando saudáveis, produzem muito mais leite que os menores.

K. Ravindran, um dos fazendeiros de Palakkad, declarou em entrevista concedida ao Dailymail que está bastante preocupado com o aspecto comercial da troca. “Para produzir 10 litros de leite, um fazendeiro precisa possuir ao menos quatro vechurs em vez de um híbrido”, explica.

Todavia, Basha Balakrishnan, pecuarista da cidade de Calecute, defende que os clientes estão dispostos a pagar três vezes mais pelo leite das vacas anãs. Atualmente, seu rebanho possui 15 variações dos animais menores e 35 híbridos.

“Embora o leite das anãs seja mais caro, muitas pessoas – principalmente os ricos – estão dispostas a pagar o preço, pois acreditam que ele seja mais nutritivo”, explica Ravindran. Seu rebanho é tão famoso que uma de suas vechurs entrou para o Guiness Book como a menor vaca do mundo, possuindo apenas 61 cm.

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