Pesquisadores recriam rosto de mulher que viveu na Idade da Pedra
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Pesquisadores recriam rosto de mulher que viveu na Idade da Pedra

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Há pouco menos de 1 mês, contamos aqui no Mega Curioso que cientistas foram capazes de recriar as feições de um homem que viveu há 700 anos. Agora, a história é ainda mais antiga: vem da Idade da Pedra!

Em 2002, arqueólogos encontraram um esqueleto na caverna de Tham Lod, na Tailândia, o qual, embora fragmentado, ainda tinha os ossos da cabeça e dentes. A partir de então, Susan Hayes e sua equipe, da Universidade de Wollongong, na Austrália,se dedicaram a estudá-lo e chegaram a recriar sua aparência aproximada; os resultados foram publicados no periódico Antiquity.

Seguindo pistas

O corpo estava deitado de lado, de forma flexionada, e sobre o túmulo havia um círculo com cinco grandes pedras e fragmentos arredondados de calcário. Isso pode ser interpretado como parte do ritual utilizado em seu enterro, mas por enquanto só há especulações, pois os pesquisadores não constataram um padrão entre os túmulos existentes na região.

Fragmentos de ossos descobertos

Usando espectrometria de massa com acelerador, a equipe separou isótopos de radiocarbono do sedimento onde o corpo foi encontrado. Em seguida, com base nas taxas de decaimento desse tipo de carbono, foi possível concluir que os ossos provavelmente pertenciam a uma mulher que tinha entre 25 e 35 anos de idade e cerca de 1,50 metro de altura e viveu há mais de 13,6 mil anos.  

Isso significa que ela é “a pessoa mais antiga a ser escavada de seu túmulo no noroeste da Tailândia e provavelmente uma descendente direta da população fundadora do Sudeste Asiático”, segundo explica o arqueólogo Rasmi Shoocongdej, da Universidade Silpakorn, de Bangkok.

Detalhando o rosto

Para reproduzir o rosto da mulher, a equipe não utilizou o amplamente difundido método de reconstrução facial forense. Hayes revela que a “reconstrução facial é um método muitíssimo popular, mas já se constatou que é cientificamente inválido desde 2002, mais ou menos”. Por isso, a estratégia adotada nesse caso foi uma técnica chamada “aproximação facial”, que se baseia em uma série de relações entre tecidos e ossos e considera medidas de indivíduos contemporâneos de todo o mundo.

A imagem mostra como funciona o método de aproximação facial, reconstruindo as feições a partir dos ossos

A propósito, a equipe considerou a mulher a candidata perfeita para testar se os novos métodos poderiam então reconstruir os detalhes únicos de feições faciais de um indivíduo tão antigo e não europeu. O resultado foi uma mulher pequena, com olhos amendoados e mandíbula larga. No entanto, Hayes alerta que essa é provavelmente uma impressão geral, e não um retrato absolutamente fiel da aparência da mulher de Tham Lod.

Com base nas comparações feitas, os pesquisadores perceberam que a aproximação facial mostrou uma conexão mais próxima com mulheres do Leste e do Sudeste Asiático, assim como semelhanças com a aparência atual de mulheres japonesas nos quesitos formato do rosto e altura. Além disso, análises dos olhos, do nariz e da boca apontaram similaridades morfológicas entre a moça da Idade de Pedra e mulheres africanas.

A própria equipe do estudo admite que a desvantagem do método usado é que é preciso bem mais tempo para alcançar as reconstruções; no entanto, Hayes defende que “os mortos merecem o melhor que pudermos fazer, independente de quando eles viveram, e isso inclui dedicar o tempo que for necessário para aplicar os melhores métodos para estimar cada rosto único dos humanos do passado”.

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