Decodificaram uma mensagem satânica escrita por uma freira do século 17
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Decodificaram uma mensagem satânica escrita por uma freira do século 17

Equipe MegaCurioso
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Olha só que coisa mais interessante: uma enigmática mensagem redigida em um código ininteligível há mais de 300 anos foi finalmente desvendada graças a um decodificador disponível na deep web. O mais fascinante da história toda é que o texto — composto por uma série de símbolos e letras — foi escrito por uma freira italiana chamada Maria Crocifissa della Concezione que supostamente estava possuída pelo Demônio.

De acordo com Rossella Lorenzi, do site Live Science, a mensagem foi escrita em agosto de 1676, quando Maria tinha 31 anos de idade e vivia em no convento Palma di Montechiaro, na Sicília. Segundo registros da época, a freira teria sido encontrada no chão de sua cela com o rosto coberto de tinta e segurando o tal texto. Ela também teria dito que a nota tinha sido escrita pelo Diabo — em uma tentativa de fazê-la se voltar contra Deus e adorar ao Capiroto.

Ei, Satanás!

A mensagem é composta por 14 linhas e foi decodificada por pesquisadores do Museu de Ciência de Ludum, na Sicília, com o uso de um programa de computador disponível na internet profunda. O time também analisou registros históricos sobre a vida da freira para descobrir mais a respeito da “possuída”, uma vez que, segundo o pessoal do museu, em casos de criptografia histórica, não se pode ignorar o perfil psicológico de quem criou a mensagem.

Mensagem satânicaMensagem satânica redigida por Maria Crocifissa della Concezione (Beata Corbera)

Os pesquisadores descobriram que o nome de batismo de Maria Crocifissa della Concezione era, na verdade, Isabella Tomasi, e que ela entrou para o convento aos 15 anos de idade. O time suspeitava que a mensagem parecia ter sido redigida em algum tipo de linguagem simplificada ou talvez em um código criado pela freira a partir de letras e palavras de alfabetos da antiguidade, como o arábico, rúnico e grego.

Possessão

Para decodificar a mensagem, primeiro os pesquisadores do museu fizeram uma análise da repetição de sílabas e grafismos presentes no texto para identificar as vogais e, a partir daí, eles usaram um algoritmo para refinar a decodificação do conteúdo. Na realidade, o pessoal do museu esperava descobrir o significado de alguns símbolos soltos, nada que fizesse muito sentido.

No entanto, para a surpresa do time, a freira tinha um bom domínio sobre alfabetos antigos, o que permitiu que os pesquisadores encontrassem sentido nos fragmentos decodificados. Basicamente, o texto consiste em divagações e, portanto, algumas partes são incompreensíveis, mas, nele, Maria acusa a Santíssima Trindade — isto é, Deus definido como Pai, Filho e Espírito Santo — de serem “pesos mortos”.

Convento Palma di MontechiaroConvento Palma di Montechiaro, na Sicília (Wikimedia Commons)

A freira fala ainda algo sobre Deus pensar que pode libertar os mortais, mas que o sistema não funciona para ninguém, e que talvez o Estige seja certo. Segundo os pesquisadores, na mitologia greco-romana, esse era o nome do rio que separava o mundo dos vivos do submundo.

Na época, a mensagem foi considerada pela Igreja como prova do embate da freira contra inúmeros espíritos do mal, e existem registros de que essas forças malignas teriam tentado obrigar a mulher a assinar a mensagem. Entretanto, ela teria conseguido se opor heroicamente às demandas dos espectros demoníacos e voltado para os braços do Senhor.

Já o pessoal do museu suspeita que a pobre religiosa provavelmente sofresse de esquizofrenia ou transtorno bipolar e, em breve, um estudo sobre seus achados será publicado em uma revista científica.

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