Cetamina promete novidades no tratamento da depressão
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Cetamina promete novidades no tratamento da depressão

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A depressão é uma doença que está cada vez mais em evidência. Nosso estilo de vida, hábitos alimentares e pressões das mais diversas, além das questões biológicas, fazem com que essa doença se manifeste, atingindo pessoas dos mais variados perfis. Apesar disso, os métodos de tratamento são os mesmos há 40 anos.

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Os medicamentos utilizados atualmente, em geral, levam em torno de 5 semanas para começarem a fazer efeito, e uma pesquisa mostra que podem não funcionar como deveriam em até 80% dos pacientes. Considerando a relevância que o assunto tem atingido nos últimos tempos, seja pelo aumento dos diagnósticos ou pela conscientização de que é uma doença perigosa e que precisa ser tratada, novas formas de encarar o problema são necessárias. Agora, parece que um novo remédio, baseado no anestésico cetamina, traz novas perspectivas para quem sofre desse mal.

Funcionamento da nova droga

Grande parte dos remédios para depressão disponíveis no mercado funcionam através da manipulação de receptores de serotonina, mensageiro químico que desempenha um papel fundamental na regulação do humor. Já a medicação à base de cetamina trabalha de uma forma diferente, se aproveitando de um mecanismo que altera receptores de NMDA.

Assim como a serotonina, o NMDA possui importantes funções na regulação do humor, mas também é responsável por manter as sinapses do cérebro flexíveis e resilientes. Essa delicada estrutura é responsável pelos nossos pensamentos, e a depressão parece fazer com que elas encolham — e, em alguns casos, até morram. Os tratamentos disponíveis atualmente, segundo cientistas, auxiliam na reconstrução dessas ligações de maneira indireta e, por isso, levam um tempo considerável para alcançar o efeito desejado.

A cetamina, ao contrário dos medicamentos antigos, tem sua ação diretamente nessas sinapses, reconectando os receptores NMDA de forma eficiente e inibindo os sintomas de depressão em questão de horas. Um estudo feito em 2012 sobre o assunto analisou a atuação do novo medicamento, constatando que ele possui grande habilidade em reduzir efeitos da depressão em pacientes que já não respondiam mais à medicação disponível. A empolgação com a cetamina foi tanta que os autores do estudo a chamaram de “maior descoberta dos últimos 50 anos”.

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Assim como qualquer remédio, ela possui vários efeitos colaterais, mas o que mais preocupa os pesquisadores são os relatos de experiências dissociativas, a sensação conhecida como “sair do corpo”. Especialistas temem que essas reações acabem gerando resistência ao uso do medicamento, por se tratar de uma sensação negativa para algumas pessoas; por outro lado, isso pode ser estimulante para outras, criando vício no uso do produto.

Efeitos em longo prazo

Existem três empresas com pesquisas em andamento. A VistaGen está trabalhando em uma droga com funcionamento semelhante ao da cetamina. Allergan está na fase final de testes, utilizando um componente que age nos mesmos receptores que a cetamina; e a Johnson&Johnson, que utiliza o composto chamado esketamina, desenvolveu um spray nasal para aplicação do medicamento. Essa última já efetuou testes mais consistentes, comprovando a eficácia da droga em utilizações pontuais.

Qualquer medicamento, antes de ser colocado no mercado, passa por uma infinidade de testes certificando que ele é seguro, mesmo com o uso contínuo. A Johnson&Johnson, empresa que parece estar com as análises mais avançadas, planeja protocolar ainda neste ano um pedido de aprovação do produto na entidade responsável nos EUA.

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Esperamos que esses novos medicamentos sejam desenvolvidos o mais breve possível, para que as pessoas que sofrem dessa doença possam ter uma melhor qualidade de vida.

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