Por que picadas de mosquito coçam tanto e por tanto tempo?
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Por que picadas de mosquito coçam tanto e por tanto tempo?

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A resposta mais básica e direta para essa pergunta é que o organismo humano é levemente alérgico a uma das proteínas encontradas na saliva dos mosquitos.

A coceira, a vermelhidão e o inchaço são algumas formas que o corpo encontra para lidar com esse componente. Mas, mais do que isso, certos tipos de picadas levam dias para parar de pinicar.

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Em uma nova pesquisa realizada na Escola Baylor de Medicina, no Texas, Estados Unidos, cientistas liderados pela professora de virologia Rebecca Rico-Hesse reproduziram o nosso sistema imunológico em camundongos para tentar compreender a extensão do efeito desse tipo de picada.

Para isso, eles injetaram em filhotes células-tronco humanas retiradas do cordão umbilical. Isso fez com que, ao crescer, eles tivessem um mecanismo de defesa muito mais parecido com o nosso.

Depois disso, os estudiosos os deixaram expostos a mosquitos de forma que cada um recebesse cerca de quatro mordidas — por conta das quais o sistema imunológico de cada um ficou ativo por cerca de 7 dias.

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As células ativas analisadas foram retiradas principalmente da pele, do baço e da medula óssea —, a grande novidade da pesquisa, segundo a autora do estudo, já que você não pode sair por aí observando a medula óssea de seres humanos depois de picadas de insetos.

Apesar de pesquisas com animais não serem muito apreciadas, essa análise pode ajudar a compreender melhor como lidar com esses problemas e como funciona o nosso sistema imunológico.

No decorrer dessa experiência, Rico-Hesse percebeu que há uma variação grande nos níveis de citocinas durante o período de "cura"; eles aumentavam e baixavam, diferente de quando a análise é feita somente em laboratório, sem trabalhar com um organismo ativo.

Em laboratório, essas proteínas — que ajudam as células do corpo a se comunicarem durante o processo de ativação do sistema imunológico — demonstravam apenas crescimento.

O fato de elas continuarem ativas por tanto tempo sugere que as picadas não se resumem à pele atingida e que os próprios componentes do nosso mecanismo de defesa podem estar levando as substâncias da saliva do mosquito para a corrente sanguínea —, o que torna possível a transmissão de doenças como a dengue.

Se fosse viável bloquear o processo, poderíamos ter um gigantesco avanço na forma como tratamos essas patologias.

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