“Árvores da Vida” estão morrendo na África — e ninguém sabe o motivo
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“Árvores da Vida” estão morrendo na África — e ninguém sabe o motivo

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Os baobás são conhecidos por seus troncos imensos e são árvores de extrema significância para muitas culturas africanas que, inclusive, se referem a eles como “Árvores da Vida”. Infelizmente, durante a última década, mais ou menos, 9 dos 13 exemplares mais antigos da África morreram ou começaram a entrar em colapso e ninguém descobriu ainda o que, exatamente, está fazendo as plantas sucumbirem.

Gigantes fascinantes

Especificamente, os baobás que morreram são da espécie Adansonia digitata — a única do gênero Adansonia L. que pode ser encontrada no continente africano e a mais longeva de todo o grupo. Eles são caracterizados pelos troncos massivos coroados por galhos finos que lembram raízes e que dão a impressão de as árvores estarem de ponta-cabeça, e dão frutos curiosos chamados mukua que ficam pendurados nos galhos como se fossem ratos. Veja:

Fruto do baobá(Wikimedia Commons/L. Willms)

Outra curiosidade é que, diferente de outras espécies de árvores, cujos troncos vão formando anéis anuais conforme elas vão crescendo — tanto que é por meio dos aros que a idade das plantas é calculada —, nos baobás, os troncos crescem a partir de diversos caules centrais e, basicamente, é como se vários troncos fossem surgindo ao longo do tempo.

Por conta disso, de modo geral, é extremamente difícil matar um baobá, uma vez que, mesmo quando são queimados, descascados ou danificados, os troncos continuam crescendo. Aliás, outra peculiaridade dessas árvores é que o interior delas costuma ser oco e muitas são usadas como refúgio. Na realidade, existe até quem more no interior dos baobás — e em um deles até montaram um bar!

Anciãos em perigo

Tipicamente, quando essas árvores sucumbem é porque, por alguma razão, elas começaram a apodrecer por dentro até finalmente cair. Mas, voltando aos baobás que morreram — ou estão em apuros —, todos têm mais de mil anos de existência e os cientistas investigando as causas não acreditam que se trate de algum tipo de praga, por exemplo, ou doença que possa pôr em risco toda a população de baobás.

Elefante e baobá(Wikimedia Commons/Ferdinand Reus)

Dos 13 exemplares mais antigos conhecidos, quatro morreram desde 2005, e os cinco restantes perderam boa parte de seus troncos e correm o risco de entrar em colapso. O baobá mais velho dos quatro “falecidos” era uma árvore que ficava no Zimbábue e era conhecida pelo nome de Panke. Ela morreu entre os anos de 2010 e 2011, e tinha idade estimada em 2,5 mil anos. Os outros três indivíduos tinham entre 1,2 mil e 1,5 mil anos, sendo um deles um baobá de Botswana chamado Chapman.

Curiosamente, os cientistas investigando as mortes suspeitam que a “idade avançada” não seja a verdadeira causa dos colapsos. Uma suspeita é que os indivíduos mais “anciãos” (como definitivamente é o caso dos que sucumbiram) sejam mais frágeis e susceptíveis às variações climáticas e estiagens.

Baobás(Wikimedia Commons/Roburq)

E, efetivamente, nas últimas décadas, foi registrado um incremento nas temperaturas das regiões mais sul da África, a falta de água está se tornando uma questão crítica e essa área do continente está sofrendo com um aquecimento mais alto do que a média global. Claro que isso não passa de suspeita ainda, mas que é uma suspeita forte, isso é!

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