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Três bilhões de aves desapareceram dos céus dos EUA e Canadá

Beverly Gyllenhaal e seu marido são ornitólogos amadores. Ao visitar sua mãe na Carolina do Norte nos últimos anos, porém, ela percebeu que não havia tantos pássaros quanto se lembrava de sua infância. Durante suas viagens pelo país, ela percebeu que outros diziam o mesmo. “Não é mais como costumava ser.” Ela tem razão: hoje, existem 2,9 bilhões de aves a menos do que há 50 anos, um declínio de 29% no número de pássaros nos Estados Unidos e no Canadá.

A análise, publicada na revista Science, é um estudo ambicioso que busca entender o que está acontecendo com as populações de pássaros. Os resultados chocaram pesquisadores e organizações de conservação. A pesquisa abrangeu mais de 500 espécies e revela perdas acentuadas entre aves tradicionalmente abundantes, como melros e pardais, vitais para os ecossistemas porque controlam pragas, polinizam flores e espalham sementes (o que regenera as florestas). Quando esses pássaros desaparecem, seus habitats mudam drasticamente.

Um pica-pau de barriga vermelha agarra-se a um alimentador durante uma tempestade de inverno na aldeia de Nyack, Nova Yotk. (Fonte: Reuters/Mike Segar)

Durante décadas, ornitólogos profissionais têm recebido ajuda de um exército de observadores amadores dedicados, que enviam suas observações para bancos de dados e ajudam a realizar pesquisas de populações de aves todos os anos. No novo estudo, os pesquisadores usaram essas informações para estimar as populações de 529 espécies entre 2006 e 2015.

Espécies comuns, como os pardais, sofreram a maior perda total de população desde 1970: mais de 700 milhões de aves desapareceram em 31 espécies. O número de pássaros migrando na primavera também diminuiu, caindo 14% apenas na última década.

Um pardal pousa em uma árvore no Central Park, Nova York. (Fonte: Reuters/Lucas Jackson

Segundo o principal autor do estudo, o cientista da conservação da Universidade Cornell e da American Bird Conservancy Kenneth V. Rosenberg, entre os grupos mais atingidos estavam as toutinegras, com um declínio de 617 milhões de aves, e os melros, com 440 milhões a menos. Os cientistas apontam práticas agrícolas, pesticidas e perda de habitat como os principais culpados por esse declínio.

"Pela primeira vez, os resultados indicaram perdas entre espécies comuns em todos os habitats. Elas ainda não estão extintas, mas lembremos do pombo-passageiro, uma das aves mais numerosas do planeta. Ninguém pensou que pudesse ser extinto, mas aconteceu", disse Rosenberg.

Extinção em massa de animais e plantas é global

Segundo ele, as descobertas mostram que a Terra está no meio de sua sexta extinção em massa. Um relatório recente das Nações Unidas descobriu que entre 500 mil e um milhão de espécies de plantas e animais enfrentam desaparecimento.

O presidente da American Bird Conservancy, Michael Parr, coautor do estudo, disse que a perda geral de aves representa uma crise de biodiversidade provocada pelo declínio de insetos: segundo um estudo publicado em fevereiro, 40% das espécies do mundo estão sumindo.

As populações de águias douradas e carecas cresceram, principalmente porque seus habitats passaram a ser protegidos. (Fonte: Reuters/Dave Fredrickson)

O desaparecimento dos pássaros não se restringe à América do Norte. Um estudo de 2018 revelou que um terço das populações de aves nas terras agrícolas da França sumiu nos últimos 30 anos. Segundo a Bird Life International, uma parceria global de organizações de conservação de pássaros, a Europa como um todo perdeu 300 milhões de aves. "Eles são os canários da mina de carvão. Seu fim nos diz que há algo muito errado acontecendo com a natureza", conclui Parr.

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