Neurocientista é alvo de mansplaining com seu próprio artigo

Neurocientista é alvo de mansplaining com seu próprio artigo

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Durante a Conferência Australiana da Associação de Fisioterapia, realizada em outubro, a especialista e neurologista Tasha Stanton teve a palavra interrompida por um cientista do sexo masculino. Com uma atitude machista, o homem sugeriu a leitura de um artigo para que ela pudesse entender melhor o assunto tratado.

No entanto, para a surpresa do mesmo, Tasha revelou que ela era a própria autora do artigo recomendado. "Espere aí por um segundo, amigo. Sou Stanton. Eu sou a autora do artigo que você acabou de mencionar", respondeu a especialista de acordo com seu relato no Twitter.

A resposta da neurocientista

Apesar dos risos e da surpresa dos demais participantes envolvidos, é preciso ressaltar que o que aconteceu nessa situação é conhecido como mainsplaing, uma atitude preconceituosa que precisa ser combatida. O mainsplaing é uma expressão em inglês que descreve o comportamento dos homens que assumem que uma mulher não entende de um determinado assunto e tentam explica-lo a ela. 

Ao interromper a neurocientista no meio de sua fala, o cientista demonstrou subestimá-la antes mesmo de poder reconhecer a propriedade dela no assunto. O ocorrido revela que ainda há muito o que lutar pela igualdade de gênero na sociedade, e a resposta da neurocientista revela um dos passos para isso.

(Fonte: University of South Australia/Reprodução)

"Disse que era um grande elogio que ele recomendasse meu trabalho, que estava feliz por ele ter gostado e achado útil, mas que no futuro ele deveria ter cuidado para não assumir que outras pessoas não sabem as coisas." revelou Tasha em seu twitter. Além de professora na Universidade do Sul da Autrália, Tasha tem mais de 60 artigos publicados e palestrou em mais de 50 conferências.

Preconceito despercebido

Mais tarde, em seu Twitter, Stanton também disse que jamais esperaria que as pessoas soubessem como ela é fisicamente. No entanto, o ponto central é que a aparência física ou gênero não deveriam ser mais relevantes que seus feitos fantásticos.

A pretensão e o preconceito por trás do mainsplaing gera constrangimento, desconforto e desvaloriza a mulher e sua capacidade de conhecer e falar com propriedade sobre assuntos variados. E diante de um público feminino cada vez mais protagonista, é preciso mudar definitivamente a mentalidade, combater o machismo e promover a igualdade.

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