Na Alemanha, 14% da população de um município está imune à covid-19

Na Alemanha, 14% da população de um município está imune à covid-19

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Na Alemanha, mais precisamente no município de Gangelt, que fica próximo da fronteira com a Holanda, a covid-19 espalhou-se rapidamente pela população após uma festa de Carnaval em fevereiro que atraiu milhares de pessoas para o local. Isso teria acabado fazendo com que 14% da população da cidade se tornasse imune à doença causada pelo coronavírus.

(Fonte: Reprodução)(Fonte: Reprodução)

Compreendendo a situação

A pesquisa na Alemanha foi realizada pelo virologista Hendrik Streeck e vários outros cientistas no Hospital Universitário de Bonn, que dizem ter abordado cerca de 1 mil moradores para doar sangue, coletar amostras da garganta e completar um questionário.

O relatório foi postado online e apresenta grandes implicações sobre o tempo em que este município e o resto do mundo precisarão manter o confinamento.

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O resultado dos exames de sangue de 500 habitantes em busca de anticorpos contra o vírus determinou que um em cada sete foi infectado, tornando-se imune, sendo que alguns não demonstraram nenhum tipo de sintoma.

Eles descobriram que 2% dos residentes estavam ativamente infectados pelo coronavírus e um total de 14% tinham anticorpos, indicando uma infecção anterior, o que aponta que esse grupo não pode mais ser infectado com SARS-CoV-2, como o vírus é conhecido pelos cientistas.

Conforme o vírus se espalha, ele envia uma certa porcentagem de pessoas para o hospital e algumas para UTIs — e grande parte desses pacientes pode vir a falecer. Uma das maiores perguntas não respondidas ainda é exatamente qual a porcentagem de indivíduos infectados está morrendo pela doença provocada pelo novo coronavírus.

(Fonte: Pixabay/Reprodução)(Fonte: Pixabay/Reprodução)

Pelas descobertas dos exames de sangue, a equipe alemã estimou que a taxa de mortalidade em Gangelt é de 0,37%, um número significativamente menor do que o mostrado em um painel mantido pela Universidade Johns Hopkins, no qual o número de fatalidades na Alemanha entre os casos reportados é de 2% .

Os autores explicam que a diferença nos cálculos se resume a quantas pessoas estão realmente infectadas, mas não foram consideradas porque apresentam sintomas leves ou inexistentes.

Nicolas Christakis, médico e pesquisador de Ciências Sociais da Universidade Yale, afirmou: “Na minha opinião, parece que ainda não temos uma grande fração da população exposta. Eles tiveram carnavais e festivais, mas apenas 14% testaram positivo. Isso significa que ainda há muito o que fazer, mesmo em uma parte bem atingida da Alemanha”.

Por que a taxa real de infecção em uma região importa?

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Quanto maior for a taxa, menos dores de cabeça teremos no futuro. Eventualmente, quando um número suficiente de indivíduos estiver imune — cerca de metade a três quartos da população mundial — o vírus não terá como continuar sua propagação, um conceito conhecido como imunidade de rebanho (infelizmente, isso também significa uma quantidade absurda de mortes, a menos que uma vacina seja descoberta).

Porém, para Christakis, Gangelt ainda está longe de alcançar este limite, o que significa que o novo coronavírus ainda tem muitos danos para causar.

A importância do relatório

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A pesquisa alemã foi uma das primeiras a procurar evidência de infecção anterior em uma população. Estes dados são essenciais para que os cientistas possam determinar até que ponto a pandemia se propagou, qual é a verdadeira taxa de mortes e quantas pessoas permaneceram assintomáticas.

“É muito preliminar, mas é o tipo de estudo que precisamos desesperadamente”, afirma o médico e pesquisador de Yale, que também acredita que os Estados Unidos devem testar até 200 mil pessoas, em grandes metrópoles como Nova York a até pequenas cidades do Centro-oeste, pois é crucial para quantificar uma série de parâmetros básicos.

Contagem global e mais testes

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De forma global, o número oficial de casos da covid-19 passa de 1,5 milhão de pessoas, mas este valor inclui principalmente aqueles que procuraram auxílio médico e foram testados. Sendo assim, a quantidade real de pessoas infectadas, incluindo aqueles que estiveram assintomáticas e não passaram por testes, é muito maior.

Mais dados de “testes sorológicas” devem estar disponíveis em breve; e as fontes incluem hospitais de todo o mundo, incluindo os EUA. 

Em 6 de abril, a Stanford Medicine anunciou que havia lançado seu próprio teste sorológico e passaria a examinar médicos, enfermeiras e outros em busca de anticorpos.

“O teste nos permitirá determinar quais profissionais de saúde podem ter baixo risco de trabalhar com pacientes afetados pela covid-19, além de entender a prevalência de doenças em nossas comunidades”, disse Lisa Kim, porta-voz da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford.

Os primeiros resultados dos hospitais já estão circulando entre alguns especialistas, explicou Christakis, que acredita que esses dados nos levarão “mais perto da verdade” sobre até que ponto a infecção se espalhou nas cidades dos Estados Unidos e no resto do mundo.

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