Ilha de Páscoa: nova teoria questiona hipótese de colapso socioambiental

11/06/2020 às 11:302 min de leitura

A ilha de Páscoa é famosa por suas estátuas gigantes, chamadas de moais, e pelo mistério envolvendo o desaparecimento de seu povo. A teoria mais aceita é a de que, por volta de 1600, a população entrou em guerra por conta da destruição ecológica da região, que acabou com qualquer forma de subsistência – o pessoal teria até praticado canibalismo em seus últimos dias. Porém, uma nova teoria questiona essa explicação para o colapso dessa sociedade.

Quando os europeus descobriram a ilha, em 1722, supostamente não havia nenhum habitante por lá. Um novo estudo, publicado no Journal of Arcaeological Science, acredita que isso não é verdade. Como traços da cultura do povo Rapa Nui sobrevivem até hoje, isso poderia indicar que a população habitou o local por muito mais tempo do que se previa. Para Robert DiNapoli, doutorando em arqueologia pela Universidade do Oregon, essas informações foram deixadas de lado assim que se abraçou a hipótese do colapso.

Outros estudos foram levados em consideração para dizer que os habitantes da ilha de Páscoa sobreviveram por mais tempo. O enigma dos moais pode trazer alguns dados: as imensas esculturas chegam a mais de 90 toneladas, sendo um mistério como o povo as levou para pontos extremos da ilha.

Colapso do povo Rapa Nui permanece um mistério até hojeColapso do povo Rapa Nui permanece um mistério até hoje

Em 2012, Carl Lipo, da Universidade de Binghamton, e Terry Hunt, da Universidade do Arizona, mostraram que o transporte dessas gigantes estátuas poderia ser feito por apenas 18 pessoas usando um movimento de balanço. Já os chapéus, de até 13 toneladas, poderiam ser colocados com auxílio cordas e rampas. Junto a esses estudos, também foi feita uma nova cronologia da história da ilha.

Acredita-se que o povo Rapa Nui chegou ao local no final do século XII ou começo do século XII. Porém, Lipo acredita que essa é apenas uma suposição difícil de ser determinada, mesmo através da datação feita por carbono-14. A equipe do pesquisador tentou, por radiocarbono, determinar o período da construção dos moais e do suposto colapso, chegando à conclusão que os habitantes de lá só sucumbiram após a chegada dos europeus.

Outros estudiosos são mais céticos a essa possibilidade. Para Jo Anne Van Tiburg, arqueóloga da Universidade da Califórnia, ainda acha a hipótese do colapso como a mais provável. Segundo ela, foram vários fatores socioambientais que levaram à derrocada do povo Rapa Nui e não apenas um fenômeno cataclísmico. Caso os europeus tenham de fato tido contato com o povo da ilha, isso foi apenas a gota-d'água para o fim da população que já estava em forte declínio.

Após a pandemia, quando puder retornar ao trabalho, Carl Lipo pretende ir à ilha de Páscoa para testar novas hipóteses. Ele e sua equipe trabalham com radiocarbono, mas apenas de peças comprovadamente feitas pela ação humana, o que reduz drasticamente o número de amostra e gera críticas da comunidade científica. 

Ilha de Páscoa: nova teoria questiona hipótese de colapso socioambiental via TecMundo

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