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A história de Mara, a elefanta transportada durante a pandemia

Os elefantes são conhecidos por serem animais enormes e, entre os terrestres, de fato são os mais pesados que existem no planeta. Como é possível, então, transportar uma criatura deste tamanho? É isso que você vai descobrir agora com a história da maravilhosa Mara, uma elefante asiática de 50 anos. 

(Fonte: Santuário de Elefantes/Reprodução)(Fonte: Santuário de Elefantes/Reprodução)

A história de Mara

Mara nasceu em um cativeiro de campo de trabalho na Índia. Ainda muito jovem, foi vendida por um zoológico em Hamburgo, na Alemanha, onde ficou até a família Tejidor comprá-la para que se tornasse parte das atrações do circo da família. Por anos, a elefanta viajou pelo Brasil, Argentina e Uruguai, sendo, segundo um membro da família, muito amada e alegre. 

Porém, em 1980, Mara foi vendida para um outro trupe: o Circo Rodas. Neste momento, a vida de Mara começou a entrar num espiral de sofrimento. Ela não "se comportava" com os novos donos, que a maltrataram muito. Eles até ligaram para um antigo dono tentar controlá-la, mas Mara acabou assassinando o homem em um momento de fúria. 

Isso porque já estava sofrendo constantes abusos e vivia com medo o tempo todo. A vida dela foi assim até ser resgatada por um zoológico pequeno de Buenos Aires. Ali, Mara viveu em um ambiente apertado e empoeirado até o começo de maio, quando, após uma onda de protestos, foi decidido transportá-la para um santuário no Mato Grosso. 

Tromba de Mara sendo examinada. (Fonte: Christian Rizzi/Polícia Rodoviária/Reprodução)Tromba de Mara sendo examinada. (Fonte: Christian Rizzi/Polícia Rodoviária/Reprodução)

O pré-viagem

Um grupo ativista chamado SinZoo inciou os protestos pelas condições de vida dos animais no zoológico, e Mara estava incluída nisso. Então, foi decidido transportar os animais para santuários e reservas naturais, mas alguns deles estavam muito velhos, doentes e até mesmo acabaram falecendo antes de se mudarem. 

Mara foi o 861º animal a receber um novo lar, sendo enviada para o Santuário de Elefantes no Brasil, que conta com mais de mil hectares de espaço. Para chegar lá, a elefante precisava viajar quase três mil quilômetros. 

Foi preciso encontrar várias informações para a transição, como onde nasceu e os locais em que morou antes do zoológico em Buenos Aires. Além disso, para que o transporte ocorresse em segurança, uma força tarefa teria que ser criada em conjunto entre os governos de Brasil e Argentina. 

(Fonte: Christian Rizzi/Polícia Rodoviária/Reprodução)(Fonte: Christian Rizzi/Polícia Rodoviária/Reprodução)

A viagem em tempos de pandemia

O plano apresentou um problema com a pandemia do novo coronavírus: o fechamento das fronteiras entre os países. Porém, isso não conseguiu impedir a transferência da paquiderme, graças ao grande esforço de Tomás Sciolla, gerente de vida silvestre e conservação, que foi atrás das pessoas certas. 

A elefanta foi colocada em uma enorme caixa de metal e transportada até a fronteira da Argentina, onde ficou esperando para viajar pelo Brasil. Ao conseguir cruzar as divisas, Mara viajou com escolta policial, feita pela Polícia Rodoviária, e teve que enfrentar ruas esburacas do interior brasileiro. 

A caixa na qual Mara foi transportada por quase três mil quilômetros. (Fonte: Christian Rizzi/Polícia Rodoviária/Reprodução)A caixa na qual Mara foi transportada por quase três mil quilômetros. (Fonte: Christian Rizzi/Polícia Rodoviária/Reprodução)

Quando finalmente chegou ao Santuário, cansada e cheia de estresse, Mara conseguiu relaxar e recobrar sua alegria por estar em um ambiente aberto e com muito alimento natural pela primeira vez na vida. Agora, ela até já encontrou uma amiga da mesma espécie, com a qual criou um laço impressionante.

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