Gonzalo Moratorio, o uruguaio que ajuda a conter o coronavírus no país

Um virologista sul-americano ganhou destaque nos últimos meses por um combate incansável e proativo contra a COVID-19 no Uruguai. Trata-se de Gonzalo Moratorio, um pesquisador que é reconhecido internacionalmente como um símbolo da ciência em 2020 por esforços incansáveis e conquistas criativas.

O cientista foi até premiado pela Nature com uma menção na lista de 10 pessoas que ajudaram a moldar a ciência em 2020, ao lado de figuras como Tedros Adhanom Ghebreyesus, da Organização Mundial da Saúde, e e a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern. 

De acordo com a matéria publicada pela revista, o pesquisador é até reconhecido nas ruas do país, com a população agradecendo a ele pelos esforços na contenção de casos da COVID-19 na região.

Daniela Hirschfeld/El País
Daniela Hirschfeld/El País

O maior trunfo de Moratorio foi desenvolver junto a uma equipe na capital Montevidéu um teste rápido e totalmente nacional para detectar a presença do novo coronavírus. O experimento era visto como uma forma rápida e barata de evitar o espalhamento da pandemia no país, já que possibilita um controle maior do número de infectados e aumenta a possibilidade de isolamento da doença.

As primeiras pesquisas do grupo começaram já em março de 2020, quando o primeiro caso de COVID-19 foi registrado no Uruguai. O teste criado por Moratorio é do tipo molecular ou de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), que identifica a presença do RNA da SARS-CoV-2 no corpo humano.

Os testes rápidos e em massa são a arma do país para reduzir perdas durante a pandemia.
Os testes rápidos e em massa são a arma do país para reduzir perdas durante a pandemia.

“Somos uma espécie de ponto fora da curva. Estamos comprando tempo e todo o tempo que compramos será precioso até que remédios ou vacinas cheguem”, afirmou o cientista em entrevista ao site da Nature. Por causa da rápida ação, o país já realizava mais de 800 testes em maio do ano passado e já aplicou 500 mil testes, sendo que 30% do total envolve a tecnologia criada pelos pesquisadores.

Ao todo, o Uruguai apresenta 231 mortos pela COVID-19 e cerca de 23.800 casos registrados. A capital Montevidéu concentra pouco mais da metade desses números — que subiram bastante a partir de dezembro de 2020, mas ainda estão bem abaixo inclusive de outros países da América do Sul.

Carreira

Moratorio é professor assistente da Universidade da República, a instituição pública de ensino do Uruguai, e faz parte de um grupo de pesquisas do Institut Pasteur de Montevideo. 

O pesquisador já era convidado antes da pandemia para falar sobre vacinação em países latinos.
O pesquisador já era convidado antes da pandemia para falar sobre vacinação em países latinos.

Ele é especialista na evolução experimental de vírus e desenvolvimento de vacinas, desenvolvendo pesquisas na área há 15 anos. O pesquisador terminou em 2018 um período de pós-doutorado no Departamento de Virologia do Instituto Pasteur, em Paris.

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