Gordura marrom pode controlar a obesidade e prevenir doenças crônicas

Nosso organismo possui dos tipos de tecido adiposo, o branco e o marrom. Também conhecidos como gordura, o primeiro está associado com o armazenamento de calorias, enquanto o segundo contribui para a queima de calorias e regulação da temperatura interna.

Mas aparentemente, a gordura marrom pode ter ainda mais vantagens, com um novo estudo publicado na Nature Medicine apontando que indivíduos com níveis maiores deste tecido apresentam uma propensão menor a sofrer de doenças cardíacas e metabólicas, como doença arterial coronariana e diabetes tipo 2.

(Fonte: Pixabay/Reprodução)
(Fonte: Pixabay/Reprodução)

A pesquisa contou com mais de 52 mil participantes, sendo considerada uma das maiores do tipo, e confirmou os benefícios que este tecido adiposo traz para a saúde.

“Pela primeira vez, revelou-se uma ligação com a redução do risco de certas condições. Essas descobertas nos deixam mais confiantes sobre o potencial de direcionar a gordura marrom para benefícios terapêuticos”, afirmou Paul Cohen, um dos autores do estudo e médico assistente sênior do Rockefeller University Hospital.

Difícil localização

A gordura marrom é normalmente encontrada em recém-nascidos e animais, e sua importância tem sido estudada por décadas. E em 2009, os cientistas descobriram que ela poderia estar presente nos adultos, normalmente em regiões como pescoço e ombros. 

Porém, pesquisas em larga escala se mostraram complexas, pois este tecido adiposo só aparece em tomografias computadorizadas por emissão de pósitrons (com a sigla em inglês sendo PET-CT), um exame oneroso e que utiliza radiação, o que torna seu uso não muito aconselhado em pessoas saudáveis.

(Fonte: Memorial Sloan Kettering Cancer Center/Andreas G. Wibmer/Heiko Schöder/Reprodução)
(Fonte: Memorial Sloan Kettering Cancer Center/Andreas G. Wibmer/Heiko Schöder/Reprodução)

Mas Tobias Becher, um dos autores, achou uma solução para este problema. Na frente de seu laboratório encontra-se o Memorial Sloan Kettering, um centro de tratamento de câncer que realiza exames de PET todos os anos para avaliações oncológicas. E nesses casos, quando o tecido adiposo marrom é detectado na tomografia, os profissionais costumam anotar, para que não seja confundida com um tumor.

“Percebemos que este poderia ser um recurso valioso para começarmos a observar a gordura marrom em escala populacional”, explicou Becher.

A pesquisa

Juntamente com  Heiko Schöder e Andreas Wibmer do Memorial Sloan Kettering, os pesquisadores analisaram 130 mil PET-CTs de mais de 52 mil indivíduos, e notaram a presença de gordura marrom em quase 10% deles.

Vale lembrar que a quantidade pode ser ainda maior, porque as pessoas submetidas aos exames foram instruídas a evitar exercícios, cafeína e exposição ao frio, três elementos que parecem aumentar a quantidade do tecido adiposo marrom.

Os resultados mostraram que aqueles com maior quantidade desta gordura tendem a apresentar menos casos de doenças comuns e crônicas, além de um risco menor a desenvolver hipertensão, insuficiência cardíaca congestiva e doença arterial coronariana. 

(Fonte: Pixabay/Reprodução)
(Fonte: Pixabay/Reprodução)

Mas o surpreendente é que ela também parece atenuar os efeitos negativos da obesidade, com indivíduos obesos com um alto nível de gordura marrom exibindo uma disposição para os problemas de saúde citados acima semelhante aos de não obesos. 

“Estamos considerando a possibilidade de que o tecido adiposo marrom faça mais do que consumir glicose e queimar calorias, e talvez realmente participe da sinalização hormonal para outros órgãos”, explicou Paul Cohen.

Infelizmente, pouco se sabe como estimular a produção de gordura marrom, mas a equipe pretende continuar estudando para descobrir esta resposta, além de avaliar as variantes genéticas que possam explicar o motivo de algumas pessoas serem mais propensas a apresentá-la do que outras, e encontrar formas farmacológicas de estimular a atividade deste tecido para tratamentos de problemas de saúde.

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