Cientistas criam carne em laboratório com fibras musculares

Um grupo de cientistas da Universidade de Tóquio, no Japão, criou com sucesso um pedaço artificial de carne que possui uma estrutura que é similar aos bifes de verdade.

Diferente dos atuais experimentos, que possuem a forma de hambúrguer ou almôndega, esse novo produto deve se parecer mais com um bife bovino tanto em formato quanto em visual. A criação tem até fibras musculares, que compõem a estrutura dos pedaços normalmente consumidos e trazem a textura característica da carne de origem animal ao ser mastigada.

As camadas de fibras em sequência são sobrepostas para formar um filé.As camadas de fibras em sequência são sobrepostas para formar um filé.

O grupo de pesquisadores, liderado pelo professor Shoji Takeuchi, chegou ao atual resultado ao cultivar células de músculo bovino em laboratório. O segredo foi conseguir fazer com que elas se alinhassem entre si em longas cadeias em forma de linha, replicando as fibras da carne "de verdade" em três dimensões.

O objetivo dos cientistas é criar uma carne que tenha menos impactos ambientais decorrentes da criação em massa de gado, mas possua nutrientes e até um visual mais chamativo. Por enquanto, os pequenos pedaços criados pelos pesquisadores leva cerca de duas semanas para atingir o tamanho desejado — cubos com cerca de 1 cm de comprimento.

Por enquanto, a carne criada em laboratório ainda é pequena e nem foi testada para consumo.Por enquanto, a carne criada em laboratório ainda é pequena e nem foi testada para consumo.

Experimentos mais concretos com carnes artificiais e exibições públicas dos resultados já datam de alguns anos, mas vários simulavam visual, textura e até gosto do alimento usando outras substâncias.

Na mesa do futuro

Os próximos passos já estão definidos: fazer pedaços de carne cada vez maiores e incorporar neles outros elementos presentes no material de verdade, como tecidos de gordura e até vasos sanguíneos. 

A meta dos cientistas é conseguir criar bifes artificiais de até 100 gramas, que podem ser cozinhados e consumidos normalmente. O grupo de pesquisa até já fechou uma parceria com a Nissin Foods, empresa especializada em macarrão instantâneo, para futuramente fornecer a carne artificial para ser usada em alimentos comercializados.

Entretanto, o experimento ainda vai demorar para sair do laboratório: até agora, ninguém provou o pedaço de carne cultivado pelos pesquisadores, já que o projeto ainda está em debate no comitê de ética da universidade.

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