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Inteligência Artificial revela novo autor em Manuscrito do Mar Morto

Um texto que pertence aos famosos Manuscritos do Mar Morto teve segredos revelados com a ajuda da tecnologia. 

Pesquisadores da Universidade de Groningen, nos Países Baixos, concluíram que uma dupla escreveu o Pergaminho de Isaías, um dos sete documentos encontrados em 1946 dentro de uma caverna no território que hoje pertence a Israel. 

A revelação apenas foi possível graças a uma Inteligência Artificial complexa e treinada que foi capaz de detectar diferenças nos traços que eram praticamente invisíveis ao olho humano, mas que são bastante evidentes em uma análise no material original.

Uma ajuda da tecnologia

O segredo no novo estudo foi utilizar análise de dados em larga escala e uma vistoria minuciosa do documento. Para isso, eles utilizaram uma série de técnicas que identificam as marcas da tinta, a forma da escrita e a origem dos materiais usados como papel. 

O algoritmo criado pelos pesquisadores foi treinado a partir de uma rede neural para virar especialista em encontrar as menores variações possíveis em forma e até pressão na escrita de caracteres. Até mesmo mapas de calor foram desenvolvidos para identificar as variantes de forma de uma letra no texto.

A IA é capaz de encontrar traços diferentes na escrita dos mesmos símbolos.A IA é capaz de encontrar traços diferentes na escrita dos mesmos símbolos.

Uma das descobertas confirma uma hipótese anterior: a de que o Pergaminho de Isaías possui uma divisão clara entre dois segmentos de suas 54 colunas de texto, sendo que as partes foram escritas por duas pessoas diferentes.

Não é possível confirmar a identidade dos autores, mas a simples confirmação com base em evidências de que uma dupla de fato produziu o documento já traz muitas mudanças na área e empolga os pesquisadores.

Documentos seguem misteriosos

O conjunto de sete documentos que compõem o manuscrito data do século IV a.C ao século II d.C e são alguns dos mais velhos registros do Tanakh, a Bíblia Hebraica.

Apesar de serem estudados incessantemente desde a descoberta, feita por acidente por um pastor que procurava um animal perdido na região de Qumran, os autores dos textos permanecem desconhecidos.

O estudo de documentos parecidos pode ser aprimorado com ajuda do algoritmo.O estudo de documentos parecidos pode ser aprimorado com ajuda do algoritmo.

Segundo o professor Mladen Popovic, que conduziu o estudo, esse é um passo inicial que pode levar a uma série de descobertas em outros documentos antigos — além de revelar ainda mais respostas sobre a origem e a produção dos Manuscritos do Mar Morto e evitar a propagação de exemplares falsos, como também já aconteceu.

O artigo completo dos pesquisadores pode ser conferido no periódico PLOS (em inglês).

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