Qual é a espécie mais geneticamente diversa do mundo?

Você faz ideia de qual seja a espécie de seres vivos mais geneticamente diversa existente no mundo? É possível que o primeiro pensamento de uma pessoa passe por uma espécie de borboleta com mais de 20 cores diferentes, ou até mesmo alguma bactéria que se divide a cada 20 minutos e adquire novas mutações. Entretanto, ambas respostas estão incorretas.

De acordo com cientistas, a atual detentora desse recorde é uma espécie de cogumelos que vive em madeira podre chamados de "Gillies". Do outro lado, os linces são animais com baixíssima diversidade genética. Possuir diversidade de genes é uma característica bastante favorável aos seres vivos, já que isso garante adaptação aos mais diferentes tipos de ambiente.

Hiperdiversidade genética

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Essencialmente, a diversidade genética é medida pela quantidade de vezes que duas fitas de DNA presentes em uma mesma localização genômica variam entre si dentro de uma população. Portanto, a diversidade genética significa a porcentagem de posições dentro do genoma onde se espera que dois indivíduos de uma determinada espécie tenham bases de DNA diferentes — compostas pelos nucleotídeos A, T, C e G.

Segundo um estudo publicado na Molecular Biology and Evolution em 2015, os cogumelos Gillies têm diversidade de nucleotídeos de até 20%. Em outras palavras, isso significa que dois cogumelos diferentes terão bases de DNA diferentes em 20 de cada 100 posições estabelecidas em seus genomas. 

Além de serem considerados os eucariontes mais geneticamente diversos no mundo, essa espécie pode ser chamada de hiperdiversa, com diversidade nucleotídea superior a 5%. Por métodos de comparação, os seres humanos possuem diversidade nucleotídea de apenas 0,1%. 

Importância da diversidade genética

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)

A diversidade genética entre espécies pode ser definida por inúmeros fatores. Entre eles, os mais comuns são: taxa de mutação, tamanho da população e estabilidade da população. Quanto maior cada um desses índices for, maiores são as chances de uma espécie desenvolver uma variedade de genes elevada.

Essa é uma característica bastante importante entre os seres vivos, pois é ela quem determina quais espécies serão mais capazes de se adaptar a diferentes tipos de ambientes. Isso pode ser exemplificado no caso de pestes ou doenças que acometem grandes populações.

Se surgir uma doença que mate organismos ao atacar a versão de um gene, e essa é a única versão que a espécie tem, essa doença poderá exterminar a espécie inteira de uma só vez. Por outro lado, espécies geneticamente diversas podem sofrer ataque a um gene, mas talvez possuam uma versão com maior resistência à doença, salvando a espécie.

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