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Nova espécie de sapo-abóbora venenoso é achada no Brasil

Pequenos sapinhos alaranjados foram estudados por pesquisadores brasileiros em florestas ao sul da serra da Mantiqueira, em São Paulo, durante várias viagens realizadas entre 2017 e 2019. Os anuros se revelaram como uma nova espécie de sapos-abóbora, com uma bela cor fluorescente, porém altamente mortais.

A descoberta, publicada nesta quarta-feira (28) na revista eletrônica de acesso aberto Plos One, foi realizada por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, e do Projeto Dacnis, São Francisco Xavier e Ubatuba.

Fonte: Nunes et al./DivulgaçãoFonte: Nunes et al./Divulgação

O gênero Brachycephalus caracteriza um grupo de sapos de pequeno porte que é endêmico no Brasil. A nova espécie detectada difere das conhecidas primeiramente pelo seu porte reduzidíssimo: enquanto a maioria desses anfíbios mede entre 1,25 cm a 1,97 cm, os novos sapos-abóbora têm tamanhos de 13,46 a 15,91 mm (machos) e 16,04 a 17,69 mm (fêmeas). Minúsculos a ponto de caber em uma unha humana, porém muito hostis e venenosos.

Além do tamanho, a nova espécie pode ser distinguida de todos os demais Brachycephalus pela presença de manchas escuras desbotadas no crânio e placas pós-cranianas, presença de tecido conjuntivo preto no dorso, forma da placa parótida e comprimento da abertura do focinho menor.

Como foi descoberta a nova espécie de sapo-abóbora?

Fonte: Nunes et al./DivulgaçãoFonte: Nunes et al./Divulgação

Para coletar dados para a pesquisa, o grupo de pesquisadores percorreu o sul da serra da Mantiqueira e florestas semideciduais (menos úmidas) nos municípios de Mogi das Cruzes, Campinas e Jundiaí, no estado de São Paulo. Foram apanhados 276 espécimes de sapo-abóbora, todos com luz fluorescente produzida por seus minúsculos ossos que brilham através da pele.

Para poder diferenciar a nova espécie dos demais anfíbios do mesmo gênero, os pesquisadores tiveram que utilizar o DNA de cada espécie. O novo integrante foi batizado de B. rotenbergae, é extremamente venenoso e só pôde ser classificado como uma nova espécie por 3% de caracteres diferentes.

Sapo-abóbora iluminado por lanterna UV (Fonte: Nunes et al./Divulgação)Sapo-abóbora iluminado por lanterna UV (Fonte: Nunes et al./Divulgação)

Quando foram detectados em seus "poleiros" de no máximo 30 cm de altura, os sapinhos tentaram fugir dos pesquisadores, e se esconder nos resíduos do solo. Os autores da pesquisa afirmam que pretendem continuar pesquisando por novas espécies para responder à pergunta: afinal, para que servem esses ossos fluorescentes?

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