Os estranhos vermes do gelo que intrigam cientistas

No Alasca, da Colúmbia Britânica e do noroeste do Pacífico, as geleiras aparentemente sem vida mostram exatamente o oposto a cada verão: bilhões de vermes da espécie Mesenchytraeus solifugus emergem do gelo. 

Apesar de serem conhecidos há várias décadas, até hoje, esses bichinhos de cor preta e minúsculos, continuam sendo um mistério para os cientistas que se dedicam a estuda-los.

(Fonte: Glenn Oliver/ AccentAlaska/ Labs/ Reprodução)(Fonte: Glenn Oliver/ AccentAlaska/ Labs/ Reprodução)

Vermes pretos do Alasca: vivendo no limite

O Mesenchytraeus solifugus tem 3 centímetros de comprimento. Para Scott Hotaling, biólogo da Universidade do Estado de Washington, que tem estudado esses vermes há anos, apesar de parecer um paradoxo, eles se mantêm aquecidos exatamente porque se enterram no gelo. 

Para o especialista, o gelo ajuda a isolar os vermes de uma maneira parecida ao que acontece em um iglu feito por seres humanos.

(Fonte: Today In/ Reprodução)(Fonte: Today In/ Reprodução)

Mesmo que os vermes pretos do gelo vivam enterrados, esses pequenos animais não têm problemas para encarar o sol do Ártico.

Hotaling se deu conta disso após alguns testes demonstrarem que eles contêm altos níveis de melanina, ou seja, são protegidos com o mesmo pigmento que garante a proteção da pele humana contra a luz ultravioleta. 

Sendo assim, eles podem lidar com a exposição prolongada aos raios solares, o que representa uma adaptação extremamente útil considerando o brilho ofuscante do sol da região ártica.

O Mistério da reprodução

E se você pensa que peculiaridades do verme do gelo acabaram ainda tem mais: os cientistas não sabem como eles fazem para se reproduzir. Mas isso é até compreensível, pois eles passam a maior parte de suas vidas enterrados na neve, aparecendo apenas em alguns momentos específicos do dia ou do ano, tornando o processo de análise e pesquisa muito difícil.

Mesenchytraeus solifugus. (Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)Mesenchytraeus solifugus. (Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)

Por outro lado, o pouco que se sabe sobre o Mesenchytraeus solifugus já foi o suficiente para saber que é a maneira como esses vermes metabolizam os nutrientes obtidos que os tornam capazes de viver debaixo de vários metros de neve.  Eles utilizam o trifosfato de adenosina (ATP), uma molécula de energia presente em boa parte dos seres vivos, incluindo os humanos, mas de uma forma diferente. 

Quando as temperaturas ficam baixas, a maioria dos organismos não consegue usar muito a ATP, mas nos vermes do gelo o que ocorre é o oposto. Além disso, o aumento metabólico é outro fator que os impede de congelar. 

No meio de tantas descobertas e novidades, Hotaling afirma que o aumento da temperatura global, bem como dos níveis de CO2 na atmosfera, pode causar a extinção dos Mesenchytraeus solifugus antes que possamos conhecê-los bem.

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