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A expedição que encontrou a lula-gigante, o Kraken da vida real

Na mitologia escandinava, o Kraken é descrito como uma lula-gigante capaz de destruir navios. Em alguns relatos, é tão grande que se assemelha a uma ilha. Famosa em histórias e filmes de ficção, a maioria das pessoas acredita que uma criatura como aquela não existe. Mas você sabia que as profundezas do oceano escondem um Kraken bem real? 

Pesquisadores marítimos já tiveram a oportunidade de fazer alguns raros registros da espécie. O Kraken real é menor que as criaturas mitológicas e menos poderoso, mas ainda assim é impressionante. Trata-se de uma lula-gigante batizada de Architeuthis dux

Architeuthis dux

(Fonte: Ambiente Brasil/ Reprodução)(Fonte: Ocean Hunter Spearfishing and Freediving Specialists)

Em 2004, pesquisadores conseguiram fazer as primeiras imagens de uma lula-gigante viva, mas foi apenas 2 anos depois que cientistas do Museu Nacional de Ciências do Japão capturaram uma fêmea viva de 7 metros.

Encontrar essa espécie não é nada fácil. Aliás, em 2021 foi publicado um estudo na revista online Deep Sea Research Part 1: Oceanographic Research Papers que explica como uma equipe de cientistas conseguiu capturar imagens da Architeuthis dux em seu hábitat.

(Fonte: Research Gate/ Reprodução)(Fonte: CEN/CEPESMA)

A lula-gigante é um dos maiores animais do mundo, sendo o maior invertebrado conhecido. A fêmea da espécie tem dimensões muito superiores às do macho: eles podem chegar a 10 metros, enquanto elas alcançam até 18 metros. Há relatos de exemplares com até 20 metros, embora nem um tenha sido documentado oficialmente.

"Caça ao Kraken"

As Architeuthis dux vivem milhares de metros abaixo da superfície do oceano, por isso é muito difícil de serem avistadas. Como estão em um ambiente de extrema escuridão, desenvolveram os maiores olhos do reino animal, que podem chegar a ter o tamanho de uma cabeça humana.

(Fonte: Tsunemi Kubodera/Reprodução)(Fonte: Tsunemi Kubodera)

O habitat desses animais os tornou muito sensíveis a luzes brilhantes. Para conseguirem chegar até o lar das lulas-gigantes, então, os pesquisadores precisaram fazer uma série de adaptações nos submersíveis e nas câmeras, para corrigir o excesso de iluminação dos equipamentos.

Conforme registros de 2012 e 2019, só foi possível fazer imagens do animal porque o submersível apagou suas luzes após atingir a profundeza ideal e parou de se mover. Dessa maneira, as criaturas do fundo do mar podiam se aproximar do equipamento sem se assustar. Além disso, para atrair as lulas-gigantes, os pesquisadores usaram luz azul e uma isca personalizada. 

(Fonte: Adéle Grosse/ Iziko Museums of South Africa / Reprodução)(Fonte: Adéle Grosse/Iziko Museums of South Africa)

O dispositivo era um anel giratório com várias luzes azuis em neon acoplado a um braço do equipamento, de forma que imitasse o brilho e o movimento de uma água-viva bioluminescente.

A tática funcionou, e os pesquisadores conseguiram atrair uma Architeuthis dux. Em uma das situações, a lula-gigante chegou a atacar o braço do submersível com os tentáculos na tentativa de ter uma boa refeição de água-viva. Os cientistas consideraram esse um episódio de sorte, já que permitiu medir os tentáculos do animal, que tinham cerca de 1,8 metro de comprimento — o tamanho médio fica entre 12 e 13 metros.

Sempre na escuridão

As pesquisas recentes sobre a lula-gigante apenas dão ideia dos possíveis hábitats do animal. Alguns estudos sugerem que elas gostam de viver abaixo dos mil metros de profundidade e em águas frias. No entanto, várias espécies já foram capturadas por redes de meia água, a uma profundidade média.

(Fonte: Edie Widder & Nathan Robinson/ Reprodução)(Fonte: Edie Widder & Nathan Robinson/ORCA)

O Dr. Ole Brix, da Universidade de Bergen (Noruega), conduziu um trabalho sobre a Architeuthis dux; segundo os dados levantados, o sangue dos animais dessa espécie não é muito bom no transporte de oxigênio em temperaturas mais altas. Em águas mornas, então, o animal sufocaria. A água quente faz que uma lula-gigante suba até a superfície e não consiga voltar para baixo. Provavelmente, os exemplares mortos conhecidos foram vítimas dessa ação.

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