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Menores renas do mundo prosperam apesar de mudanças climáticas

Novas pesquisas sugerem que a dieta flexível tem feito as renas de Svalbard — as menores renas do mundo — conseguirem sobreviver ao aquecimento global, ao contrário de outras espécies do Ártico, que vêm enfrentando problemas. Isso porque as mudanças climáticas não apenas derreteram o gelo e a tundra, mas fizeram com que o crescimento de plantas no arquipélago norueguês de Svalbard fosse maior do que em qualquer outro momento na história.

A população de renas dessa região parece ter se adaptado muito bem a essa mudança, alterando sua dieta para gramíneas "semelhantes a picolés", de acordo com um novo estudo publicado na revista Global Change Biology

Mais opções de alimentação

(Fonte: Getty Images)(Fonte: Getty Images)

Ao se alimentarem dessas gramíneas que atravessam o gelo e a neve, as renas de Svalbard têm mais tempo para acumular reservas de gordura durante o verão, afirma o estudo. Esses animais são um pouco menores do que as espécies de renas do sul, mas vivem há milhares de anos em Svalbard, a apenas 800 km de distância do Polo Norte.

A capacidade da espécie de se adaptar às mudanças no ambiente oferece um forte contraste com outras espécies de renas no Canadá, Alasca e Rússia. Nessas regiões, as populações diminuíram, uma vez que um habitat em rápida mudança torna mais difícil encontrar alimentos. Os biólogos antes pensavam que o mesmo aconteceria em Svalbard, mas a subespécie norueguesa os surpreendeu.

As regiões árticas em todo o mundo sofreram nevascas mais espessas e chuvas crescentes. Às vezes, a chuva congelante cobre o solo com um esmalte impenetrável e o inverno chega antes que tenha tempo de derreter. Então, as renas não conseguem cavar em busca de líquen, seu alimento preferido, e morrem de fome.

Isso aconteceu na Rússia no ano passado, quando cerca de 80 mil renas morreram. As chuvas congelantes também afetaram muitas renas na Noruega, mas as renas de Svalbard encontraram novas maneiras de sobreviver.

Problemas ainda existentes

(Fonte: Getty Images)(Fonte: Getty Images)

A localização isolada de onde estão as renas de Svalbard protegeu amplamente a espécie da perturbação humana. E, ultimamente, à medida que as rápidas mudanças climáticas tornaram o Ártico mais verde, estes herbívoros prosperaram numa enorme miscelânea de plantas. Na parte do planeta que registra um aquecimento mais rápido, o sucesso dessa espécie é um contraste bem-vindo dos desafios enfrentados por muitos outros animais do norte.

Graças às estações de crescimento prolongadas que alimentam uma vegetação abundante e nutritiva, estas renas podem acumular quilos suficientes no verão para se sustentarem durante o inverno rigoroso — quando a fome é uma das principais causas de morte. Como resultado, a população de renas de Svalbard dobrou nos últimos 30 anos e agora chega a 22 mil indivíduos.

Contudo, nem tudo são flores. À medida que o Ártico continua a aquecer, até mesmo esses animais enfrentarão problemas. Como essas criaturas estão adaptadas ao frio, as temperaturas mais altas exigirão que elas regulem sua temperatura corporal, minando a energia necessária para procurar comida. Além disso, invernos mais quentes podem aumentar os eventos de chuva e neve, que bloqueiam o abastecimento de alimentos dessas renas. Sem contar que o aquecimento do clima também pode trazer parasitas, espécies invasoras e doenças.

Portanto, por mais que as mudanças climáticas pareçam ser uma boa notícia para as renas de Svalbard no presente, o futuro próximo tende a ser preocupante.

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