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Jabuti ferida recebe prótese impressa em 3D para se locomover

Recentemente, uma jabuti (Chelonoidis carbonarius) brasileira ganhou uma nova vida ao ser presenteada com uma prótese impressa em 3D que lhe ajudou a voltar a andar. Filó, de 25 anos, ficou incapaz de se locomover após uma cirurgia para corrigir uma grave condição reprodutiva, mas agora anda tranquilamente sobre rodas.

Em entrevista ao IFLScience, o médico veterinário Giuliano Setem afirmou nunca ter lidado com um jabuti apresentando uma lesão tão grave antes de se deparar com Filó. Pesando 20 kg, o animal foi colocado aos cuidados do Dr. Setem após desenvolver complicações em uma operação para tratar a retenção de óvulos.

Problema de saúde grave

(Fonte: Giuliano Setem/Divulgação)(Fonte: Giuliano Setem/Divulgação)

A retenção de óvulos sofrida por Filó é um problema de saúde entre os jabutis quando ocorre uma dieta inadequada, falta de luz solar ou outros fatores de estilo de vida que prejudicam a capacidade do animal de produzir cálcio. Por sua vez, isso resulta em ovos com casca fraca ou malformados que se quebram dentro do sistema reprodutor da criatura, liberando seu conteúdo e criando as condições ideais para infecções bacterianas.

Quando a retenção de óvulos é diagnosticada, os veterinários geralmente realizam uma operação de rotina para removê-los junto com todo o sistema reprodutivo do jabuti. Para a infelicidade de Filó, sua cirurgia foi conduzida por um veterinário que não era especialista em répteis, o que acabou causando complicações futuras.

Após a operação, ela sofreu necrose do osso plastrão — que forma a parte inferior da carapaça e protege o abdômen. Parte do plastrão se rompeu, expondo a membrana celômica do animal. Com o passar do tempo, o cenário foi se agravando até que Filó parou de andar.

Resgate de Filó

De acordo com Setem, Filó também desenvolveu paresia (paralisia parcial) dos membros pélvicos além da perda de uma parte da concha após desenvolver complicações da cirurgia. O seu estado de saúde acabou piorando nos últimos meses, o que exigiu uma intervenção imediata por parte dos pesquisadores. "Isso torna difícil para ela se movimentar e obter comida, e ela frequentemente fica suja", destacou.

Atualmente, não está claro se o problema de mobilidade da perna traseira da jabuti foi causada pela compressão do nervo devido à retenção de óvulos ou se realmente houve algum descuido do cirurgião durante o procedimento. Independente da causa, Setem sabia que teria que pensar fora da caixa para encontrar uma solução para essa criatura.

Assim surgiu a ideia de recorrer aos serviços do designer 3D Cícero Moraes. Tendo criado anteriormente a primeira carapaça de tartaruga impressa em 3D do mundo, Moraes estudou a tomografia computadorizada da lesão de Filó antes de projetar uma prótese que protege a região ferida e aumenta a mobilidade da jabuti. 

“É uma base que se fixa, de forma não retentiva, ao defeito causado pelo procedimento cirúrgico, a fim de proteger a região de elementos externos, e ao mesmo tempo saem quatro estruturas, cada uma com uma roda girando, o que permite que Filó ande sem colocar todo o peso nas patas", explicou o designer. E como é possível ver nos vídeos, agora Filó pode continuar sua vida tranquilamente por aí. 

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