Cientistas criam método para mapear o cheiro das cidades
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Cientistas criam método para mapear o cheiro das cidades

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Se você está em casa agora, saia para fora por um minuto e dê uma boa fungada ao seu redor. Consegue identificar de onde vem os cheiros que está sentindo? Em geral, cada lugar possui sua própria fragrância, seja o odor natural do campo; o suor de um trem lotado às 6h da tarde; ou a essência exótica do churrasquinho da esquina.

Pensando nisso, um grupo de cientistas resolveu criar uma espécie de “mapa do cheiro”. A ideia é captar o perfume de diversas cidades. Com isso, eles pretendem destacar a importância do aroma e inclui-lo nas agendas urbanas. Ou seja, as pessoas deveriam se preocupar tanto com a fragrância das ruas quanto com a aparência delas.

Cheire bem

Daniele Quercia, um dos pesquisadores da Universidade de Cambridge, defende que as prefeituras e o governo não se preocupam demasiadamente com assunto. “Os humanos conseguem distinguir mais de um trilhão de odores. No entanto, os servidores públicos e os planejadores urbanos só lidam com menos de 10 pestilências”, explicou o cientista em entrevista ao Fast Company.

Segundo Quercia, o cheiro da cidade não é analisado por duas razões: não ser levado a sério e não haver um jeito fácil de fazê-lo. Todavia, o pesquisador propôs uma forma simples de levantamento de dados, basta utilizar o que as pessoas comentam sobre o assunto nas redes sociais.

A cientista Kate McLean já fez um projeto parecido manualmente. Em seu doutorado, ela pediu que vários indivíduos andassem pelas ruas de diversas regiões e utilizassem palavras para descrever as essências que sentiam. As descrições variaram entre “borracha”, “alvejante”, “lavanda”, “cigarro”, “comida”, “lixo”, “animais”, “natureza” etc.

Depois, os pesquisadores pegaram os termos e dividiram em um sistema de categorização em 10 pontos. Assim, eles conseguiram medir quantas vezes cada palavra apareceu e determinar os odores da cidade em escala maior.

As vozes das redes sociais

No total, Quercia e sua equipe usaram de 17 milhões de fotos, 154 milhões de postagens no Instagram e 5,3 milhões de tweets em busca de palavras-chaves que cobrissem Londres e Barcelona.

Com seu projeto, Daniele espera inspirar os prefeitos do mundo inteiro e influenciar a maneira como o design das ruas é pensado, considerando principalmente o fluxo do ar. Além disso, o estudo também nos inspira a ponderarmos o quanto é importante adotar as bicicletas em vez dos carros, bem como a valorização do plantio de árvores.

“Smellscapes pode se tornar uma função do Google Maps ou de algum serviço semelhante”, disse o doutor. “No futuro, além de indicar rotas mais curtas, os serviços de GPS também poderão oferecer caminhos mais olfativamente prazerosos”, completa.

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