O cientista Sergio Canavero está determinado a realizar o primeiro transplante de cabeça em humanos e, neste mês, afirmou que o procedimento foi feito em um macaco com sucesso. Em entrevista à New Scientist, ele revelou que fez experimentos em primatas e cadáveres humanos.

Canavero diz que o seu êxito mostra que o plano para o transplante de cabeça em um ser humano está indo pelo caminho certo. Segundo o cientista, o processo vai estar pronto antes mesmo do final de 2017 e pode ser uma forma de tratamento para a paralisia completa.

Durante a entrevista, Canavero afirmou que possui uma grande quantidade de informações para continuar com o seu propósito. “É importante que as pessoas parem de pensar como algo impossível. É absolutamente executável e estamos trabalhando para isso”, concluiu.

A equipe por trás do trabalho publicou vídeos e imagens que mostram um macaco com uma cabeça transplantada, bem como ratos que são capazes de mover as pernas, mesmo depois de terem suas medulas espinhais cortadas e presas novamente.

Combinar a medula espinhal de duas pessoas vai ser a chave para que o transplante ocorra com sucesso. Para isso, os cientistas contam que utilizaram polietileno-glicol (PEG), que preserva as membranas celulares e ajuda a recuperar o local.

O experimento foi realizado com o macaco na Harbin Medical University, na China, e, de acordo com Canavero, e o animal sobreviveu ao procedimento sem qualquer lesão neurológica, mas foi sacrificado 20 horas após a cirurgia por razões éticas.

Esta não é a primeira vez que um transplante do tipo em macacos foi bem-sucedido. O doutor Robert J. White conseguiu o feito durante a década de 70, porém, nove dias após a experiência, o corpo acabou rejeitando a nova cabeça e o animal morreu.

O primeiro humano a passar pelo transplante de cabeça

Se você acha o experimento uma loucura, saiba que já há pessoas na fila de espera para a cirurgia. Valery Spiridonov, um paciente russo, foi o primeiro escolhido para se submeter ao procedimento. Com 30 anos de idade, Valery sofre de uma síndrome rara chamada Werdnig-Hoffmann, que deteriora e atrofia os músculos do corpo.

Porém, Canavero afirma que vai precisar de uma grande quantia de dinheiro para o pagamento de uma equipe de cirurgiões e cientistas e que ele pretende pedir ajuda a Mark Zuckerberg, o criador do Facebook.

Como funciona

Conforme explicamos neste post do ano passado, Canavero já divulgou o protocolo que deverá ser seguido. Para realizar a cirurgia, a cabeça e o corpo do doador serão resfriados, para que as células permaneçam vivas mesmo sem oxigênio.

Posteriormente, os cirurgiões vão dissecar os tecidos ao redor do pescoço de ambos, para que as artérias e grandes vasos sejam interligados por meio de pequenos tubos.

Assim que as medulas estiverem cortadas, os médicos vão posicionar a cabeça do paciente no corpo do doador, unindo-as através do polietilenoglicol.

Por último, vão ser interligados os músculos e vasos sanguíneos. Para evitar movimentos, o paciente vai ser mantido em coma por um período de quase 30 dias. Enquanto isso, eletrodos que foram implantados no corpo deverão estimular a medula espinhal por meio de descargas elétricas.

Apesar de a equipe ter divulgado fotos e vídeos que, supostamente, comprovam o sucesso de sua empreitada, ela ainda não deixou o trabalho de pesquisa disponível para a análise de seus colegas cientistas. Com isso, críticas sugerem que o trabalho é uma tentativa de angariar publicidade e distrair as pessoas da “Ciência de verdade”.

Em resposta, Canavero afirmou que vai publicar detalhes do estudo em revistas nos próximos meses. 

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