Zumbidos? Estalos? Peidos? O estranho mundo da comunicação dos peixes

17/05/2024 às 18:002 min de leituraAtualizado em 17/05/2024 às 18:00

Os oceanos são palcos de uma cacofonia subaquática surpreendente, onde peixes não apenas nadam, mas também "conversam". Sim, você leu certo! Estamos falando de grunhidos, estalos e até puns, uma sinfonia aquática que ecoa entre as profundezas. O mundo submarino está longe de ser o lugar silencioso que imaginamos.

O que cada vez mais fica claro para a ciência é que os peixes têm suas próprias maneiras de se expressar e se fazer entender debaixo d'água, mesmo que não seja algo que conseguimos entender facilmente — até porque eles não estão se comunicando conosco.

Pesquisadores têm explorado o fenômeno da "conversação" dos peixes, descobrindo que a comunicação entre eles vai muito além do que poderíamos pensar anteriormente. Coisas como estalos que alertam sobre inimigos, grunhidos que chamam parceiros para o acasalamento e até mesmo sons de trombeta para intimidar intrusos estão entre alguns dos sons emitidos por esses animais. 

A banda do mar

Achou que não ia ter som pra conquistar o crush? (Fonte: GettyImages/ Reprodução)
Achou que não ia ter som para conquistar o crush? (Fonte: Getty Images / Reprodução)

As pesquisas mostram que muitos peixes usam sua bexiga natatória, um órgão que não serve apenas para flutuar, mas também para gerar vibrações sonoras. É como se eles estivessem tocando música no fundo do mar, utilizando seus próprios corpos como instrumentos.

Mas não pense que esses sons são apenas barulhos aleatórios. Eles têm propósitos específicos. Desde atrair parceiros para o acasalamento até determinar uma hierarquia social, os peixes têm uma linguagem própria que mostra que todos precisam, de alguma forma, comunicar-se. 

Um exemplo é o peixe-sapo, normalmente conhecido por sua aparência feia e rabugenta, que tem a habilidade de fazer serenatas subaquáticas emocionantes. Com grunhidos e estalos, ele convida as fêmeas para dançar — e acasalar — em seus ninhos. E não é só ele; outros peixes, como o bacamarte e a donzela-de-ambon (Pomacentrus amboinensis), também têm suas próprias performances musicais para impressionar.

Já o Danionella cerebrum, um peixe minúsculo com menos de meio centímetro de comprimento, consegue produzir sons tão altos quanto um jato decolando. Com sua bexiga natatória e músculos especializados, ele mostra com seu potente som que tamanho não é documento. 

Outros, como os peixes da família Clupeidae (a sardinha é dessa família), tem a grande habilidade de se comunicar por meio de "puns". Isso ocorre devido ao fato do som ser gerado pelo seu trato digestivo, o que significa que esse bicho de fato traz um sentimento que vem das entranhas. Segundo os pesquisadores, essa comunicação é utilizada mais como função de socializar.

Entendendo os peixes

O barulho pode ser um problema para a comunicação dos peixes. (Fonte: GettyImages/ Reprodução)
O barulho gerado por humanos pode ser um problema para a comunicação dos peixes. (Fonte: Getty Images / Reprodução)

O entendimento sobre as "conversas aquática" é algo relativamente novo, em grande parte, pelas limitações tecnológicas. Antes dos hidrofones, microfones subaquáticos, captar esses sons marinhos era como tentar ouvir uma conversa estando no meio de uma obra de construção barulhenta. 

Além disso, havia uma visão antiquada por parte de algumas pessoas de que, se os humanos não conseguiam se comunicar naturalmente debaixo d'água, os peixes também não poderiam. Felizmente, esses conceitos ultrapassados estão sendo deixados para trás.

O problema é que, infelizmente, nem tudo é sinfonia dentro do mar. O aumento do ruído nos oceanos, causado por atividades humanas como a pesca e a exploração de petróleo, está prejudicando a comunicação entre os peixes

Assim, além de ser um problema ambiental, os ruídos também dificultam as pesquisas, aumentando a necessidade de criação de programas de conservação e proteção para salvar a "liberdade de expressão" desses animais. 

Por isso, à medida que continuamos a explorar os segredos dos oceanos, é importante lembrar que os peixes têm suas próprias vozes e histórias para contar. Respeitá-los é, antes de tudo, garantir que possamos conhecer mais a fauna marinha e seu comportamento. Afinal, quem sabe o que mais eles têm a dizer lá embaixo nas profundezas azuis?

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