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5 acontecimentos terríveis ligados a Henry Kissinger, um dos maiores criminosos de guerra da história

Considerado uma das personalidades mais influentes e polêmicas na política externa dos Estados Unidos a partir da década de 1960, o diplomata Henry Kissinger morreu na quarta-feira (29) aos 100 anos, em Connecticut (EUA). A causa da morte não foi revelada.

Hulton Archive/Getty ImagesHenry Kissinger, ex-secretário do Estado dos EUA. (Fonte: Evening Standard/Hulton Archive/Getty Images)

Atuando como secretário de Estado dos presidentes americanos Richard Nixon e Gerald Ford, ele ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1973 por negociar a retirada dos EUA do Vietnã, homenagem bastante contestada na época. No mesmo ano, atuou na intervenção diplomática que levou a um cessar-fogo no conflito árabe-israelense.

Apesar disso, Kissinger é apontado como um dos maiores criminosos de guerra do século XX — estima-se que de 3 a 4 milhões de pessoas morreram entre 1969 e 1976 por conta das suas políticas. Relembramos agora cinco acontecimentos terríveis ligados a Henry Kissinger.

1. Golpe militar no Chile

(Fonte: Getty Images/Reprodução)(Fonte: Luis Orlando Lagos Vázquez/Keystone/Getty Images)

Com a missão de isolar a então União Soviética, o ex-secretário de Estado dos EUA defendeu a derrubada de governos com tendência à esquerda em diferentes países. Um deles foi o Chile, onde o golpe de Estado apoiado pela Agência Central de Inteligência (CIA) resultou na queda do presidente eleito, o socialista Salvador Allende.

Durante a ditadura que se instaurou depois disso, liderada pelo general Augusto Pinochet, mais de 3 mil pessoas foram mortas, enquanto 38 mil pessoas foram presas e torturadas.

2. Ditadura na Argentina

(Fonte: Getty Images/Reprodução)(Fonte: Keystone/Hulton Archive/Getty Images)

Kissinger também encorajou o golpe militar na Argentina. Documentos secretos revelados em 2016 mostraram que o diplomata tinha uma relação próxima com o ditador Jorge Videla, cujo governo foi marcado pela forte repressão política, perseguição a opositores, violação de direitos e censura.

Ele teria agido para evitar o fim da repressão praticada por Videla, elogiando os métodos que resultaram em milhares de pessoas mortas, sequestradas e torturadas.

3. Genocídio em Bangladesh

(Fonte: Getty Images/Reprodução)(Fonte: Getty Images/Reprodução)

Outro acontecimento trágico que contou com o envolvimento do político falecido foi o genocídio ocorrido em 1971 durante a guerra de independência do Paquistão Oriental, que viria a se tornar Bangladesh. Sob a orientação de Kissinger, o governo americano deu cobertura diplomática aos assassinatos em massa cometidos pelo Paquistão Ocidental.

A ofensiva militar resultou em pelo menos 300 mil mortes, além de ter registrado de 200 mil a 400 mil estupros de mulheres em Bangladesh.

4. Invasão do Timor-Leste

(Fonte: Getty Images/Reprodução)(Fonte: Reg Lancaster/Express/Hulton Archive/Getty Images)

Também partiu de Kissinger o sinal verde para que a Indonésia invadisse o Timor-Leste em 1975. Em um telegrama enviado ao então presidente indonésio, Suharto, o diplomata escreveu: “é importante que tudo o que você fizer seja bem-sucedido rapidamente”, comentando a operação militar.

Aliados de Washington durante a Guerra Fria, os indonésios ocuparam o Timor-Leste ilegalmente durante quase 25 anos, período em que aproximadamente 200 mil timorenses foram mortos.

5. Bombardeios em Laos e Camboja

(Fonte: Getty Images/Reprodução)(Fonte: Archive Holdings Inc./Getty Images)

Enquanto agia para finalizar o desastroso conflito contra o Vietnã, o governo Nixon ordenou, de maneira sigilosa, o bombardeio de áreas importantes nos países vizinhos Laos e Camboja. O objetivo da ação aconselhada por Kissinger era cortar as fontes de abastecimento da capital vietnamita, Hanói.

No ataque, que supostamente ocorreria em regiões desabitadas, áreas povoadas foram atingidas, matando centenas de milhares de cambojanos que não tinham qualquer relação com os conflitos. No total, a Guerra do Vietnã teve mais de 3 milhões de mortos, sendo 2 milhões de civis e 1,1 milhão de combatentes.

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