'Culto do Espelho Sangrento': a história que inspirou o império pré-asteca

24/03/2024 às 17:002 min de leituraAtualizado em 24/03/2024 às 17:00

A maior cidade-estado que já existiu na Mesoamérica pode ter extraído seu poder de um desejo arrepiante por objetos brilhantes e sangue humano, é o que diz um novo estudo feito pelo Williams College. De acordo com uma análise de um templo sacrificial na cidade pré-colombiana de Teotihuacan, o fascínio da população pelo vidro vulcânico (obsidiana) resultou numa obsessão de culto com espelhos e derramamento de sangue.

A extração desse material também tornou-se diretamente ligada à expansão do Império. Porém, para que isso fosse possível, milhares de pessoas foram mortas em sacrifícios brutais conduzidos por uma seita curiosa.

Astecas e a obsidiana

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Pirâmide em homenagem a Quetzalcoatl em Teotihuacan, México. (Fonte: Getty Images)

Um milênio antes da civilização asteca chegar ao seu ápice, a antiga metrópole de Teotihuacan prosperou no centro do México de 100 a.C. a 800 d.C. Como em muitas outras culturas mesoamericanas, as elites da cidade sofriam com o que os estudiosos chamam de "complexo de superfície reflexiva" e usavam regularmente espelhos de obsidiana como ferramentas oraculares para adivinhar o futuro e comunicar-se com os seus deuses.

No entanto, de acordo com o novo estudo conduzido pelo Dr. Trenton Barnes, do Williams College, essa fantasia de se comunicar através de superfícies brilhantes era muito mais profunda do que mera adivinhação, e inspirou algumas práticas horríveis. A evidência desse culto sangrento ao espelho, diz ele, pode ser encontrada na Pirâmide da Serpente Emplumada — a terceira maior estrutura da icônica cidade antiga.

Segundo Barnes, o templo era adornado com centenas de "esculturas monumentais representando espelhos dos quais emergiu a divindade da Serpente Emplumada, mais tarde chamada de Queetzalcoatl entre os astecas mexicanos". Infelizmente, o local foi repetidamente saqueado desde que foi construído por volta de 200 d.C., mas uma das estátuas ainda mantém os discos reflexivos de obsidiana que foram originalmente embutidos nas órbitas oculares da divindade.

Sacrifícios numerosos

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Sacrifícios humanos já foram encontrados em Teotihuacan anteriormente. (Fonte: S Shepherd/Wikimedia Commons)

Conforme divulgado por Barnes, potencialmente os espelhos de obsidiana foram originalmente incorporados na fachada da Pirâmide da Serpente Emplumada. No final de um dia claro, à medida que o sol se aproximava do horizonte oeste, os olhos negros das cabeças esculpidas teriam explodido em chamas com a luz refletida.

Abaixo da pirâmide, os arqueólogos descobriram os esqueletos de cerca de 200 sacrifícios humanos, tornando este o maior assassinato ritual já ocorrido na Mesoamérica à época. Os pesquisadores sugerem que lâminas de obsidiana foram usadas para derramar sangue e extinguir ritualmente a vida humana.

Assim, através do vidro, seria possível estabelecer uma ligação clara entre espelhos e sangue. Segundo Barnes, o culto do espelho parece ter sido algo que realmente cresceu em Teotihuacan, no momento em que o uso de obsidiana em armas de guerra e lâminas de sacrifício se generalizou. Dado que tanto a guerra como os sacrifícios foram fundamentais para o estabelecimento do controle político, é possível dizer que o "Culto Sangrento do Espelho" foi um componente-chave nas ambições imperiais do Estado. 

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