Antimacarrão? Conheça o grupo que tentou banir a 'pasta' na Itália

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O macarrão é uma das marcas culinárias da Itália há séculos, mas por pouco essa história não foi diferente. Durante um banquete na cidade de Milão, no dia 15 de novembro de 1930, Filippo Tommaso Marinetti decidiu criar uma enorme polêmica: era a hora da Itália abolir seu carboidrato favorito e substituí-lo pelo arroz.

Na visão do italiano, o macarrão era uma comida antiquada e iludia as pessoas a acreditarem se tratar de um alimento saudável. Além de elitista, o movimento criado por Marinetti possuía fortes conexões com o regime fascista de Benito Mussolini e iniciou uma “guerra” para decidir qual seria o prato escolhido pelos italianos.

Fim da era do macarrão

(Fonte: Pixabay)
(Fonte: Pixabay)

O discurso de Filippo logo tomou grandes proporções. Em 1909, o homem — que era conhecido como um grande aristocrata na sociedade italiana — havia lançado o autointitulado “Manifesto do Futurismo”, o qual descrevia a necessidade da Itália abandonar costumes ultrapassados para seguir tendências mais tecnológicas.

Apesar de ser um movimento notoriamente conhecido no mundo da arte, o futurismo também era um meio de nações expressarem suas vontades de tornarem-se potências, assim como bradava a campanha política de Mussolini. Os dois homens, inclusive, haviam colaborado para a criação de seus partidos políticos após o fim da Primeira Guerra Mundial.

No início da década de 1920, Marinetti e Mussolini tinham se distanciado politicamente, o que não impediu o membro da burguesia italiana de se aproveitar dos poderes do novo líder do país quando lhe era conveniente. Foi assim que ambos se uniram para derrubar o “Império do Macarrão“.

Ascensão e queda de Marinetti

(Fonte: Wikimedia Commons)
(Fonte: Wikimedia Commons)

Compreendendo que o arroz era muito mais fácil de ser produzido em escala nacional do que o macarrão, o ditador da Itália decidiu, então, criar o Conselho Nacional do Arroz por volta do fim dos anos de 1920 e tornou oficialmente o dia 1º de novembro como o “Dia Nacional do Arroz”.

Apesar de Mussolini nunca ter dado declarações favoráveis ao banimento da massa no país, existia um consenso claro dentro da população de que essa era a ideia de Marinetti. As campanhas publicitárias incentivando o consumo de outro carboidrato geraram tanta comoção que vários habitantes enviaram manifestos ao governo para demonstrar suas insatisfações.

Mesmo com tamanha influência no governo, a aliança da Itália com o Império Nazista de Adolf Hitler acabou com os planos de Marinetti. De acordo com o líder alemão, toda arte moderna era uma afronta ao nacionalismo e, de alguma forma, ligada aos judeus. Sendo assim, Benito decidiu parar de apoiar o futurismo e o macarrão voltou a figurar como refeição escolhida para representar a Itália.

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