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Pesquisa revela que muitas pessoas preferem sentir dor a pensar demais

Uma pesquisa publicada em novembro deste ano no periódico científico eLife constatou que, quando diante de uma situação em que é possível escolher entre sentir dor física ou pensar demais, surpreendentemente muitas pessoas preferem a primeira alternativa.

Embora se saiba que o esforço mental pode ser bastante cansativo e visto até mesmo como aversivo, a equipe de especialistas canadenses queria descobrir até que ponto os seres humanos podem ir a fim de evitá-lo. Por esse motivo, foi inserido nos testes um novo elemento em relação a experimentos realizados anteriormente: a dor física.

Primeiramente, os pesquisadores avaliaram o nível de tolerância dos participantes à dor, por meio de um aparelho que esquenta até uma temperatura predefinida e se resfria rapidamente, de modo a não machucar a pele. Nessa etapa, todos tiveram de indicar sua percepção quanto a diferentes temperaturas, em uma escala de 0 (nenhuma dor) a 100 (dor bastante intensa). 

Na sequência, foi apresentado um exercício de memória conhecido como n-back, que no experimento exibia uma série de letras em uma tela, em cinco níveis de dificuldade. Conforme cada letra aparecia, os participantes tinham de confirmar se a letra mostrada naquele instante era igual à anterior, e o grau de exigência aumentava de acordo com a quantidade de “telas” que precisavam ser memorizadas.

O que dói mais?

Depois das etapas iniciais, os pesquisadores misturaram cinco níveis de dor e cinco níveis de dificuldade na tarefa cognitiva, dando a cada participante a chance de escolher entre um e outro em diferentes pares combinatórios. 

Considerando todas as rodadas dos testes, as pessoas preferiram sentir dor em 28% das vezes — inclusive quando as opções eram dor mais intensa e nível mais alto do exercício de memória. “Em determinado ponto, se for preciso escolher entre os dois, é como decidir jogando Cara ou Coroa”, explica Todd Vogel, um dos autores do estudo. 

Cores mais claras indicam maior percentual de aceitação da dor. (Fonte: eLife/Reprodução)
Cores mais claras indicam uma porcentagem maior de aceitação do estímulo doloroso. (Fonte: eLife/Reprodução)

Outro aspecto avaliado nos testes foi o tempo necessário para os participantes tomarem suas decisões em cada caso. De modo geral, a resposta era mais rápida quando a balança pendia para o desafio mental; no caso da opção por sentir dor, havia certa hesitação. 

Segundo os especialistas, certamente há muitas nuances dessa comparação que podem ainda ser investigadas com mais detalhes em outros estudos. Um dos caminhos seria mapear como as pessoas se sentem diante de diferentes tipos de desafios mentais, bem como os sentimentos gerados pelo fato de cometer erros — preocupação e ansiedade, por exemplo.

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