Pimp My Carroça traz visibilidade para a profissão de catador

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Em uma época na qual cuidar do planeta e do meio ambiente nunca foi tão importante, uma ONG de São Paulo vem lutando para trazer reconhecimento e remuneração justa para os profissionais responsáveis pela coleta de 90% de todos os materiais que nosso país recicla.

Chamada Pimp My Carroça, a organização sem fins lucrativos trabalha com projetos artísticos, tecnológicos, de sensibilização e participação coletiva para gerar conscientização e trazer a visibilidade mais do que merecida para os catadores perante a sociedade, o poder público e o privado no Brasil e no mundo.

(Fonte: Pimp My Carroça/Reprodução)
(Fonte: Pimp My Carroça/Reprodução)

O movimento tem como valores principais ética, respeito, inovação e sustentabilidade e já recebeu reconhecimento através de vários prêmios, sendo o mais recente o de Empreendedor Social do Ano em Resposta à covid-19.

Pimp My Carroça: repaginada e com cuidados merecidos

Entre as ideias interessantes da ONG está a de ter um dia só para cuidar dos profissionais da reciclagem e homenageá-los em várias cidades brasileiras e até na Colômbia e no Equador!

(Fonte: Pimp My Carroça/Reprodução)
(Fonte: Pimp My Carroça/Reprodução)

Em datas específicas, os catadores podem se reunir ao ar livre e seu principal instrumento de trabalho, a carroça, passa por reformas estruturais com funileiros e borracheiros e ainda ganha um toque artístico, com desenhos, cores e frases que são definidos em uma conversa entre o artista e o catador.

(Fonte: Pimp My Carroça/Reprodução)
(Fonte: Pimp My Carroça/Reprodução)

Além de deixar a carroça mais segura e bonita, a ação conta com atendimentos de saúde e bem-estar, incluindo de médicos, massagistas, cabeleireiros, psicólogos para os trabalhadores e até veterinários para seus companheiros de quatro patas.

(Fonte: Pimp My Carroça/Reprodução)
(Fonte: Pimp My Carroça/Reprodução)

O evento também conta com atrações culturais gratuitas para os catadores e suas famílias, para que eles possam desfrutar arte, lazer e entretenimento.

(Fonte: Pimp My Carroça/Reprodução)
(Fonte: Pimp My Carroça/Reprodução)

No fim, além de receber seu instrumento de trabalho repaginado, eles também ganham um kit de segurança com itens essenciais para seu cotidiano, que inclui luvas, boné, capa de chuva e fitas reflexivas. Muito legal, né? Mas ainda tem mais!

Cataki

A coleta de materiais recicláveis não é fácil: os catadores têm uma rotina extremamente exaustiva, trabalhando independentemente do clima ou da temperatura, carregando carroças muito pesadas por todos os tipos de ruas e recebendo muito pouco por essa tarefa árdua.

(Fonte: Pimp My Carroça/Reprodução)
(Fonte: Pimp My Carroça/Reprodução)

Para combater esse paradoxo sem sentido, a Pimp My Carroça lançou um aplicativo chamado Cataki, uma espécie de LinkedIn que amplia a divulgação dos serviços desses profissionais e os aproxima daqueles que querem descartar seus resíduos recicláveis de forma correta e consciente.

O app pode ser baixado gratuitamente em aparelhos com Android e iOS, mas vale lembrar que, mesmo não pagando nada para ter acesso ao Cataki, não significa que o serviço dos catadores também será de graça, pois é um trabalho como qualquer outro e deve ser remunerado.

Cataflix

Você sabia que nós reciclamos 95% das latinhas de alumínio aqui no Brasil e que essa conquista é mérito dos catadores? Bom, eu não sabia até começar a acompanhar o Cataflix, uma série de vídeos no canal do Pimp My Carroça no YouTube em que os apresentadores são os próprios profissionais de reciclagem.

(Fonte: Pimp My Carroça/Reprodução)
(Fonte: Pimp My Carroça/Reprodução)

As gravações foram feitas quinzenalmente em São Paulo, mas têm mensagens de trabalhadores de diversas regiões brasileiras. Cada episódio abordou um tema diferente, incluindo: proteção contra a covid-19, a importância dos catadores, como descartar os resíduos corretamente e até mesmo a história da profissão no país e no mundo.

Outro detalhe legal é que os cenários do programa são obras de arte exclusivas para o Cataflix, cada uma de um grafiteiro diferente.

(Fonte: Pimp My Carroça/Reprodução)
(Fonte: Pimp My Carroça/Reprodução)

“O público do programa é tanto o gerador de resíduo quanto o próprio catador, até porque um não vive sem o outro. A melhor forma do gerador de resíduo se conscientizar sobre sua responsabilidade na cadeia da reciclagem é ouvindo o que um catador tem para falar. Eles são agentes ambientais e professores. Sempre foram influenciadores em potencial – a gente só colocou uma câmera para registrar o imenso conhecimento desses trabalhadores” explicou João Bourroul, coordenador de comunicação do Pimp My Carroça.

Dando a palavra para quem entende bem do assunto

Tivemos a oportunidade de entrevistar Anne, apresentadora do Cataflix, para compreender melhor sua vida, as dificuldades que enfrenta e como a ONG e o Cataki a ajudaram.

A primeira coisa que perguntei foi sobre sua jornada e como conheceu a Pimp My Carroça, e o que ouvi foi a história de uma verdadeira guerreira.

(Fonte: Anne Caroline/Reprodução)
(Fonte: Anne Caroline/Reprodução)

Como designer gráfica no Mato Grosso do Sul, ela decidiu seguir seu sonho de uma vida melhor e mudou para São Paulo, porém, pela necessidade de morar em um albergue, logo começou a enfrentar preconceitos para encontrar um novo emprego e, mesmo concorrendo a todo tipo de vaga que aparece, ainda não teve sorte.

Durante esse período, conheceu pessoas que a levaram para o vício em drogas, assim como seu marido, que também era usuário e trabalhava como catador para sustentar a dependência, e que a ensinou mais sobre a profissão.

Como os horários dos albergues são muito regulados, os dois decidiram sair do local para terem mais tempo de serviço, indo morar nas ruas, mas tudo mudou quando Anne descobriu que estava grávida: os dois decidiram abandonar as drogas e recomeçar a vida em Osasco pelo bem de sua filhinha. E foi assistindo a um programa de TV que ela ficou sabendo sobre a Pimp e o Cataki.

(Fonte: Anne Caroline/Reprodução)
(Fonte: Anne Caroline/Reprodução)

E falando no app, ela me contou que assim que o descobriu já fez o download para encontrar mais oportunidades e que isso ajudou bastante o casal. 

Contudo, durante essa época da pandemia até o aplicativo passou por dificuldades, pois muitos clientes acabaram sumindo por estarem com seus estabelecimentos fechados ou até mesmo por optarem levar por conta própria os materiais recicláveis para o ferro-velho como uma forma de ganhar um dinheiro extra.

É com muito esforço e o auxílio da ONG e de outras instituições sociais que eles estão conseguindo o básico para se alimentar e continuar batalhando em meio ao caos que o novo coronavírus gerou.

(Fonte: Anne Caroline/Reprodução)
(Fonte: Anne Caroline/Reprodução)

Anne também me contou que em um determinado momento eles optaram por sair de Osasco e mudar para  a comunidade Zaki Narchi, Zona Norte de São Paulo, quando ela e o marido decidiram mostrar mais do cotidiano dos dois nas redes sociais, o que os aproximou mais do pessoal da ONG e trouxe o convite para ela ser uma das “caras” do Cataflix.

Segundo nossa excelente apresentadora, este projeto da Pimp My Carroça está sendo fundamental para aumentar a visibilidade e conscientização sobre a profissão de catador, e que a série de vídeos está sendo bem recebida, mas que a chance de uma segunda temporada com mais conteúdos interessantes depende realmente do interesse do público.

(Fonte: Pimp My Carroça/Reprodução)
(Fonte: Pimp My Carroça/Reprodução)

No fim da entrevista, eu perguntei que recado ela gostaria de deixar para outros profissionais do ramo e para a população em geral. Para os colegas, deixou sua solidariedade e força, principalmente neste momento complexo em que os trabalhos ficaram escassos.

Para o público, ela pediu respeito e me explicou que, se uma pessoa pretende contratar um catador, deve pensar se a casa é acessível para a carroça, se não fica em uma ladeira muito íngreme e passar todas as informações necessárias de antemão. Além disso, que as pessoas compreendam melhor o trabalho e o indivíduo, percebam o quanto essa profissão marginalizada é extremamente essencial para todos e que não é um favor ou uma doação, mas sim uma prestação de serviço como qualquer outra, que merece ser paga adequadamente.

Curtiu a ONG e a Anne e quer ajudar?

Uma das formas mais simples de auxiliar esse projeto tão importante é seguir as páginas do Pimp My Carroça e da Anne nas redes sociais e no YouTube, dar uma olhadinha na série do Cataflix para aprender mais e mandar aquele famoso “joinha” nos vídeos.

Para quem quiser ajudar financeiramente, a comunidade da apresentadora e seu marido passou por um incêndio grande neste ano e agora ela tem uma vaquinha para reconstruir seu lar.

Quanto à ONG,  é possível fazer doações de itens importantes e existe uma campanha de arrecadação chamada Viva os Catadores, que angaria fundos mensalmente para ajudar os profissionais.

(Fonte: Pimp My Carroça/Reprodução)
(Fonte: Pimp My Carroça/Reprodução)

Outra alternativa é o Pimpex, em que é possíval entrar em contato com a organização para criar uma campanha de financiamento coletivo e ajudar um catador a reformar sua carroça ou até mesmo ganhar uma novinha juntamente com um kit de segurança para tornar o trabalho mais seguro e funcional.

Outro jeito bem válido é se tornar um voluntário, doar um pouquinho do seu tempo e conhecimento para fazer o bem do jeito que você puder!

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