Alphonse Bertillon: o detetive que revolucionou as investigações

Recentemente, eu decidi aprender francês por conta própria e, para isso, comecei a assistir a uma série sobre detetives parisienses. Só que os agentes de Au Service de La France (Agente Très Secreto, em português) são bobões e um pouco incompetentes. O protagonista bonitão e o chefe são os únicos que se salvam. 

Mas esse detetive francês da vida real, assunto do nosso post de hoje, é o completo oposto da série que eu estou assistindo: Alphonse Bertillon era tão bom no que fazia que revolucionou a área — e ajudou a criar as investigações como conhecemos hoje. 

Isso porque ele foi o primeiro detetive a fotografar cenas de crimes e criar uma técnica mais eficiente para capturar bandidos conhecidos com mais rapidez: aquelas fotos de frente e de lado que todo mundo que é fichado precisa tirar, conhecida como mugshot em inglês. Isso era na segunda metade do século XIX e a própria fotografia ainda era uma tecnologia recente. 

Um dos fundadores da ciência forense

Em 1879, a polícia de Paris tinha 80 mil fotos e cinco milhões de arquivos de pessoas que cometeram crimes. Eles eram organizados por nome — e sabemos que bandidos não costumam trocar de nome para fugir, né? Sendo assim, era muito difícil identificar alguém nesse mundaréu de informações. Até que surgiu Alphonse Bertillon. 

Ele era filho de um médico que usava estatísticas em seu trabalho. Com o pai, Bertillon aprendeu que era muito difícil duas pessoas terem a mesma medida — e que era mais fácil um criminoso mudar de nome do que o tamanho de suas orelhas ou nariz. Por isso, ele decidiu criar um novo sistema para organizar os arquivos, baseados nas medidas. 

Fonte: All That's InterestingFonte: Préfecture de Police, Paris/Wikimedia Commons/Reprodução)

Fonte: All That's InterestingFonte: Wikimedia Commons/Reprodução

Muita gente achou o método ridículo, já que dava muito trabalho medir as orelhas, os narizes e todas os outros detalhes dos criminosos. Contudo, a técnica acabou sendo adotada pela polícia parisiense por muitas décadas, com grande sucesso. Bertillon também foi um dos primeiros detetives a usar fotos para registrar cenas de crimes antes que elas fossem manipuladas pelos investigadores.

Posteriormente, o método de Bertillon cairia em desuso, uma vez que as impressões digitais se mostraram um método mais eficiente para identificar criminosos e outras tecnologias ainda surgiriam depois dessa. Mesmo assim, os mugshots e as fotos de cenas de crime, inventadas pelo detetive francês do século XIX, continuam sendo importantes até hoje. 

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