Quem foi a Eleanor Rigby da música dos Beatles?

"Ah, olhe todas as pessoas solitárias. / Eleanor Rigby coleta o arroz na igreja onde aconteceu um casament. / Vive em um sonho. / Espera na janela, usando o rosto que ela mantém em um pote ao lado da porte. / Para quem ele seria?". Você reconhece a letra dessa música?

Lançada em 1966 como parte do álbum Revolver, "Eleanor Rigby" é talvez a mais misteriosa entre as diversas músicas da banda The Beatles que receberam títulos com nomes de pessoas — o quarteto de Liverpool gravou canções como "Penny Lane", "Lucy in the Sky with Diamonds" e "Dear Prudence", a boa parte com personagens totalmente fictícios.

Mas será que ela mesmo existiu e vivia em uma igreja? A história por trás da música e da pessoa traz uma estranha coincidência que pode remeter a um episódio do início da carreira da banda.

Por trás da música

A canção foi composta inicialmente por Paul McCartney, mas acabou creditada também a John Lennon por contribuições posteriores. Ao todo, ela ficou quatro semanas no topo das paradas britânicas. Nos EUA, ela ficou em 11º, sendo nomeada a três prêmios Grammy.

A capa do disco Revolver.A capa do disco Revolver.

A letra fala basicamente sobre solidão: a personagem do título "vive de um sonho", esperando na janela por algo que nunca acontece. 

Há ainda a figura do padre McKenzie, que escreve sermões "que ninguém vai ouvir" e tece meias durante a noite, também solitário. Quando Rigby morre na igreja, ele é o responsável por sepultá-la, em uma cerimônia sem qualquer parente.

Além de ser um tratado sobre pessoas sozinhas, análises da letra indicam que ela também fala de maneira pessimista sobre a situação da sociedade britânica pós Segunda Guerra Mundial.

A solitária Eleanor Rigby foi homenageada ainda como uma estátua na calçada da Stanley Street, em Liverpool.A solitária Eleanor Rigby foi homenageada ainda como uma estátua na calçada da Stanley Street, em Liverpool.

Mas e a Eleanor? Em entrevistas, Paul McCartney citou mais de uma vez que a personagem é fictícia, sendo que o nome simplesmente soou bem na composição, vindo tanto da uma atriz Eleanor Bron quanto de uma bebida alcoólica — nos versos iniciais, ela até seria chamada de Miss Daisy Hawkins.

A verdadeira Eleanor Rigby

De acordo com a BBC, entretanto, há um cemitério em Liverpool com um túmulo pertencente a uma Eleanor Rigby. Ele fica no terreno da St Peter’s Church, na região de Woolton, uma igreja que possivelmente foi frequentada pelos jovens Lennon e McCartney no final da década de 1950. 

Nesse período, eles haviam recém se conhecido e tocavam juntos sob outro nome, The Quarrymen.

A "verdadeira" Eleanor Rigby morreu durante o sono em 10 de outubro de 1939, aos 44 anos, e era a "devota esposa" de Thomas Woods. A britânica era uma empregada de baixo escalão de mansões.

O local em que Eleanor Rigby foi enterrada.O local em que Eleanor Rigby foi enterrada.

Ou seja, existiu uma mulher com esse nome na região em que os Beatles cresceram, mas ela não é a mesma retratada na canção.

Anos depois dos primeiros relatos, Paul admitiu que o nome pode ter sido puxado de seu inconsciente: a dupla de fato pode ter caminhado entre os túmulos, e o nome marcou o artista como uma memória quase esquecida, mas que felizmente soou bem com a melodia — sem qualquer relação com a pessoa de verdade, cuja existência ou história ele de fato desconhece.

A igreja de St. Peter, em Woolton.A igreja de St. Peter, em Woolton.

A lápide de Eleanor Rigby, a verdadeira, virou praticamente uma atração turística aos fãs que visitam Liverpool em busca de lugares memoráveis a respeito da banda.

Você sabia que o Megacurioso está no Instagram, Facebook e no Twitter? Siga-nos por lá.