A história do futebol nos Jogos Olímpicos

Apesar de ser o esporte mais popular do mundo, o futebol nem sempre fez parte da história dos Jogos Olímpicos. Na primeira edição moderna do evento, em 1896, por exemplo, a categoria não teve participantes. Porém, por algum momento antes de 1930, o futebol olímpico chegou a ser considerado o ápice do universo competitivo dentro da modalidade.

Com a criação da Copa do Mundo, as Olimpíadas acabaram perdendo um pouco da atratividade e diversas mudanças ocorreram com o passar das décadas no futebol. Desde então, os principais atletas dos maiores times do mundo deixaram de fazer parte da competição internacional quadrienal multiesportiva e abriram espaço para a aparição de revelações e atletas mais jovens.

Primeiras partidas

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Conforme relatos históricos, as Olimpíadas de 1896 em Atenas, na Grécia, apesar de não contar com um torneio de futebol oficial, teve partidas amistosas acontecendo por fora. Nesse período, os representantes atenienses perderam para os atletas de Esmirna, uma cidade na costa da Turquia. 

Oficialmente, o futebol só foi entrar como modalidade em 1900, nos Jogos Olímpicos de Paris (França). Foram apenas três equipes participantes: o Club Français (França), o Upton Park (Reino Unido) e a Universidade de Bruxelas (Bélgica). Os britânicos se consagraram medalhistas de ouro após duas vitórias, enquanto os franceses garantiram a medalha de prata após uma acachapante vitória por 6 a 2 sobre os belgas.

Por outro lado, a FIFA só foi reconhecer os jogos de futebol das Olimpíadas como torneios oficiais em 1908, quando finalmente as seleções passaram a representar seus países. Nos Jogos Olímpicos de Verão de Londres (Inglaterra), foram 6 elencos: Reino Unido, França A, França B, Dinamarca, Suécia e Holanda — sendo os britânicos campeões mais 1 vez.

Dominância do Reino Unido

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Com a predominância dos representantes do Reino Unido nas primeiras competições, a Grã-Bretanha chegou aos Jogos Olímpicos de 1912 na Suécia como a grande favorita para ganhar a medalha de ouro do futebol. As expectativas se confirmaram na reedição da final anterior contra a Dinamarca, com os britânicos erguendo mais uma taça.

Após uma pausa das Olimpíadas durante a Primeira Guerra Mundial, os jogos voltaram a acontecer em 1920. Apesar de ter-se retirado do quadro da FIFA após a entidade se recusar a vetar Alemanha, Áustria e Hungria das competições internacionais pós-guerra, o Reino Unido decidiu que iria jogar as partidas de futebol nos Jogos Olímpicos da Antuérpia (Bélgica).

Dessa vez, entretanto, os invencíveis britânicos foram surpreendidos. Em uma batalha de Davi contra Golias, a Noruega eliminou os favoritos com uma vitória por 3 a 1 na primeira fase. Essa também foi a primeira vez que uma final internacional foi abandonada. 

Aos 40 minutos do último jogo, os jogadores da Tchecoslováquia decidiram se retirar de campo após ouvir insultos do árbitro John Lewis e seus auxiliares. Por consequência, a equipe foi desqualificada e perdeu a medalha de ouro para a Bélgica.

Ascensão sul-americana

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Em 1924, o torneio se expandiu e passou a contar com a presença de 24 seleções de 4 federações diferentes. O Uruguai, 1° participante da América do Sul na competição, também acabou sendo o 1° medalhista de ouro olímpico sul-americano ao marcar 20 gols e sofrer apenas 2 durante todas as partidas da categoria.

Nos anos seguintes, a ascensão sul-americana no mundo do futebol seguiu firme. Nos Jogos Olímpicos de 1928, Argentina e Uruguai dominaram a competição e realizaram a final do torneio. Após um empate de 1 a 1 no primeiro jogo, as duas seleções se enfrentaram novamente após três dias, com os uruguaios conquistando mais uma medalha de ouro após uma vitória de 2 a 1.

Criação da Copa do Mundo

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Em 1928, já parecia claro que o futebol havia-se tornado muito grande para as Olimpíadas. Até então, a competição só aceitava a presença de atletas amadores e isso havia-se tornado um problema para as federações de futebol. Por conta disso, a FIFA decidiu agendar uma Copa do Mundo de Futebol para 1930.

Com o sucesso internacional desse novo torneio, o futebol foi excluído das Olimpíadas em 1932 — mas retornou em 1936 com a insistência dos organizadores alemães. Porém, a disparidade de profissionalismo entre as duas partes fez a competição da FIFA se tornar muito mais popular e atrair mais interesse comercial.

Zebras nas Olimpíadas

(Fonte: Internet/Reprodução)(Fonte: Internet/Reprodução)

Com os principais jogadores do mundo participando da Copa do Mundo, as partidas de futebol nas Olimpíadas acabaram limitando as convocações de atletas para times sub-23 — com exceção de um pequeno número de convidados. Por conta disso, diversos países que não eram considerados potenciais na modalidade conseguiram conquistar medalhas.

Exemplos claros disso foram as fortes participações de nações africanas em 1996 e 2000, quando Nigéria e Camarões conquistaram suas medalhas de ouro, respectivamente. O Brasil, que se consagrou pentacampeão no torneio da FIFA, só foi conseguir ganhar sua primeira medalha olímpica de ouro no futebol em 2016, quando as Olimpíadas foram disputadas no Rio de Janeiro.

Desde 2016, os Jogos Olímpicos também abriram as portas para que a modalidade passasse a ser disputada pelas mulheres. Porém, ao contrário da edição masculina, essa categoria não tem restrição de idade e funciona ao nível de igualdade com a Copa do Mundo de Futebol feminina. 

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