Subornos e ameaças: os escândalos das Olimpíadas da Antiguidade

Apesar de na Grécia Antiga os atletas não terem substâncias ilícitas que melhorassem seu desempenho durante os Jogos Olímpicos, trapacear durante as competições era o único meio de eles conseguirem obter algum tipo de vantagem contra seus adversários.

Foram vários fatores que contribuíram para evitar que os competidores burlassem a competição, como leis, juramentos, os oficiais vigilantes, tradição, honra pessoal e até o medo dos açoites em praça pública. 

Muito embora tudo isso tenha contribuído para manter as Olimpíadas limpas — e muitas delas foram ao longo dos séculos —, não impediu totalmente que muitos competidores jogassem sujo.

Vencer a todo custo

(Fonte: ThoughtCo/Reprodução)    (Fonte: ThoughtCo/Reprodução)    

Visto que não ousavam trapacear diretamente nos jogos, os gregos usaram de sua criatividade para tentar fazer seus adversários perderem. Alguns deles tentaram azarar os atletas através de superstições, usando de maldições escritas em tiras de chumbo e colocadas onde a pessoa costumava se preparar para a competição.

Entretanto, conforme os escritos de Pausânias, um viajante do século II d.C., os subornos e trocas de favores estavam entre os maiores truques nas Olimpíadas antigas.

Isso aconteceu em 388 a.C., durante a 98ª edição dos Jogos Olímpicos, quando um boxeador chamado Eupolus, da Tessália, subornou três de seus oponentes para deixá-lo vencer. Todos foram multados e, para humilhá-los e servirem de exemplo para os futuros trapaceadores, seis estátuas de bronze com inscrições sobre o escândalo foram erguidas em pedestais que levavam aos estádios antigos.

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Além disso, os próprios juízes cometiam trapaças, como em um caso em que funcionários votaram para coroar um membro de sua própria cidade-estado, em um claro conflito de interesses. Isso também aconteceu nos Jogos de Inverno de 2002, quando um juiz francês deu notas altas aos patinadores russos, supostamente em troca de uma nota maior dada por um juiz russo.

(Fonte: National Geographic/Reprodução)(Fonte: National Geographic/Reprodução)

As cidades-estados também apresentaram problemas. Em 420 a.C., Esparta foi banida das Olimpíadas por violar um tratado de paz, mas um de seus atletas entrou na corrida de bigas fingindo representar Tebas. Ele venceu e revelou de onde vinha de verdade. Ele foi açoitado e a vitória foi registrada como indo para Tebas, sem nenhuma menção ao nome do atleta — o que era considerado uma punição ainda pior.

Mesmo com toda a modernidade de hoje e o sistema rígido de punição, como aconteceu com a expulsão da Rússia das Olimpíadas após o escândalo de doping de 2019, as pessoas sempre encontram truques para melhorar o seu desempenho em uma competição que pode determinar todo o seu futuro.

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