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Imperador Frederico II realizou um experimento grotesco com crianças

Alguns especialistas acreditam que as crianças constroem um conjunto básico de regras sobre a linguagem que aprendem ouvindo das pessoas ao seu redor, escolhendo palavras e as colocando em uma ordem em que elas possam se fazer entender com eficiência, através da tentativa e do erro.

Há também quem acredite que elas adquirem a capacidade de falar por interação com seus pais, outros adultos e, principalmente, com outras crianças. Ou seja, de qualquer uma das formas, as crianças aprendem com os demais.

Mas o que a criança aprende a falar quando não tem ninguém com quem interagir? Em que plano fica a capacidade de comunicação, sobretudo com o fato de que o aprendizado de uma língua na vida adulta é muito mais dificultoso?

Atualmente a ciência explica todas as variáveis do que pode acontecer. Porém, no século XIII, quando essa mesma dúvida surgiu na mente do sacro imperador romano Frederico II, não havia nem sombra de respostas. E foi assim que ele criou um experimento execrável em sua insaciável jornada por resultados.

Uma mente inquieta

(Fonte: Gianni Dagli Orti/Shutterstock)(Fonte: Gianni Dagli Orti/Shutterstock)

Considerado “a maravilha do mundo”, Frederico II era uma das maiores personalidades da Alta Idade Média, membro da família guerreira alemã que controlava grande parte da Alemanha moderna e da Itália. Ele era neto de Frederik Barbarossa, que buscou estabelecer a predominância germânica na Europa, inspirando, centenas de anos mais tarde, a operação fracassada de Adolf Hitler.

Frederico fundou uma universidade em seu nome, proveu conhecimento para sua comunidade por meio de livros, foi um governante tolerante e protetor das minorias judaicas e muçulmanas; mas tudo isso apenas na Sicília. Fora, ele foi excomungado pelo papa, perseguido, desprezado e taxado como cruel e luxurioso.

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Isso tudo devido à sua inclinação inegável para a ciência, fruto de um desejo indomável por conhecimento. Contudo, conforme um livro intitulado As Doze Calamidades do Imperador Frederico II, escrito pelo frade chamado Salimbene, essa curiosidade toda possuía um tom sádico.

Em seus experimentos científicos, por exemplo, Frederico chegou a colocar um prisioneiro em um barril para vê-lo passar fome através de um olho mágico. Seu intuito era saber se a alma do homem deixaria seu corpo de maneira visível durante a morte. Ele também estripou dois homens para descobrir como funcionava o processo de digestão de uma refeição quando uma pessoa ia dormir e a outra sair para trabalhar.

Indo além

(Fonte: Wellcome Images/Reprodução)(Fonte: Wellcome Images/Reprodução)

Quando Frederico foi além e introduziu um experimento usando crianças, ele ultrapassou qualquer linha que ainda o identificava como humano perante a sociedade da época. Obcecado pela linguagem, falante fluente de idiomas que iam do latim ao árabe, o imperador inventou um experimento para constatar se as crianças falariam se fossem criadas sem ouvir nenhuma palavra.

Ele sequestrou recém-nascidos e ordenou que as enfermeiras os criassem no silêncio. Frederico esperava que a língua falada fosse recriada no Jardim do Éden quando as crianças pronunciassem uma palavra, mesmo sem jamais ter ouvido nada parecido. Após observar suas cobaias dia e noite, o resultado foi que todas morreram mudas, apenas chorando em suas celas.

(Fonte: Sibeaster/Wikimedia Commons)(Fonte: Sibeaster/Wikimedia Commons)

Apesar do teor grave do experimento, é incerto dizer se Salimbene inventou tudo isso, ou se de fato Frederico II cometeu todos esses tipos de crimes. Verdade ou não, o imperador realmente carregou um traço perturbador de megalomania, encorajando as pessoas a chamá-lo de Jesus Cristo ao entrar em Jerusalém durante a Sexta Cruzada.

Todo esse narcisismo, maquiavelismo e psicopatia em seu nome, não só inspirou obras que falaram sobre como a bússola moral da ciência pode ir para qualquer lado quando o assunto são as descobertas sobre a vida, quanto encontrou mentes pervertidas como a de Mengele e Hitler.

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