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Piggly Wiggly: o primeiro mercado moderno da História

De acordo com a Food Industry, estima-se que existam mais de 40 mil supermercados apenas nos Estados Unidos, sendo que um levantamento da USDA ERS sobre as vendas totais de alimentos em território norte-americano em supermercados, mercearias, clubes de armazém e supercentros, atingiram a casa dos US$ 653 bilhões só em 2019.

Ao longo dos anos, os supermercados se mostraram não só como um pináculo importante na indústria alimentícia mundial, como também se tornaram indispensáveis no fornecimento de quase todos os bens de necessidade diárias e regulares que a população de um país precisa. Sua importância não é difícil de enxergar, visto que greves dos caminhoneiros que abastecem as lojas ou qualquer tipo de atraso e má fabricação em larga escala são o suficiente para causar um estrago e gerar pânico na vida de qualquer um.

(Fonte: Carl Mydans/The LIFE Picture Collection/Getty Images)(Fonte: Carl Mydans/The LIFE Picture Collection/Getty Images)

Diante de sua valiosidade, é estranho imaginar que até quase metade do século XX, não existia o modelo de mercado que desfrutamos hoje, onde você simplesmente pode pegar seu carrinho, passear pelas prateleiras e colocar dentro tudo o que precisa (ou não) e depois passar no caixa. No século XIX, mercearias eram a única fonte para venda mantimentos, e existia um número limitado de itens que o cliente poderia adquirir.

Além disso, o traço mais curioso e incomum de todos é que não existia o costume de pegar as próprias compras ou qualquer tipo de autoatendimento. Os balconistas das mercearias eram encarregados de coletar os itens da preferência do cliente conforme sua lista e validar a compra.

Até que o mercado Piggly Wiggly mudou o conceito ao abrir as portas da primeira loja em Memphis, Tennessee (EUA).

Escolhendo a própria comida

(Fonte: Denver Post/Getty Images)(Fonte: Denver Post/Getty Images)

Em 6 de setembro de 1916, o mercado Piggly Wiggly inovou o modelo ao convidar seus clientes a entrarem na loja, apanharem uma cesta de madeira e escolherem à vontade os itens que gostariam de levar para casa.

Como naquele tempo não havia nenhum meio prático para divulgar o novo tipo de empreendimento, Clarence Saunders, o empresário idealizador da futura franquia multimilionária, contratou uma banda no dia da inauguração para atrair clientes, distribuindo ele mesmo balões para crianças e flores para as mulheres enquanto os convidava para conhecer o mercado.

(Fonte: Library of Congress/Corbis Historical/Getty Images)(Fonte: Library of Congress/Corbis Historical/Getty Images)

Saunders criou toda a estrutura de um mercado moderno, surpreendendo o público e os fazendo voltar constantemente também pelos preços muito abaixo do que as mercearias.

“Um dia, Memphis se orgulhará do Piggly Wiggly, que se multiplicará e encherá a Terra com mais coisas limpas para comer”, disse Saunders, alguns meses após a abertura da primeira loja, de acordo com Mike Freeman, em artigo ao Tennessee Historical Quarterly.

E ele começou a ver isso ainda naquele ano, quando conseguiu abrir mais de 9 lojas pelas redondezas de Memphis.

O grande fenômeno

(Fonte: Click Americana/Reprodução)(Fonte: Click Americana/Reprodução)

O conceito de autoatendimento de Saunders rapidamente chamou a atenção de outras redes de supermercados, que replicaram o novo método em suas lojas, espalhando o modelo por todo o país. 

Com a propagação, as mercearias foram murchando, à mercê de suas limitações e preços desproporcionais, e só eram requeridas em emergências, o que acabou causando falência em massa dos proprietários.

A popularidade facilmente aderida talvez tivesse funcionado se o mercado Astor Market, no Upper West Side de Nova York, tivesse aberto no mesmo ano em que a loja de Saunders. Lá surgiu o primeiro conceito de supermercado, quando um exército de opções de alimentos foram colocados sob o mesmo teto para ser comercializado por vários vendedores independentes ao mesmo tempo.

(Fonte: H. Armstrong Roberts/Retrofile/Getty Images)(Fonte: H. Armstrong Roberts/Retrofile/Getty Images)

Demorou até 1930 para que isso se tornasse uma realidade novamente, quando Nova York retirou das ruas os mercados ao ar livre e concentrou a maioria dos vendedores em lugares como o Essex Stret Market. No mesmo ano, um funcionário da empresa de varejo Kroger, chamado Michael J. Cullen, enviou uma carta para seu chefe com a ideia que deu a origem ao modelo das feiras livres que conhecemos hoje, com disputa de preços sobre o mesmo tipo de mercadoria.

Enquanto isso, já nessa época, Saunders havia perdido o controle da própria empresa, mas isso não impediu que a rede de mercados Piggly Wiggly crescesse e se tornasse uma das mais conhecidas do país. E ainda que não seja totalmente conhecida, permanece em funcionamento até hoje, inclusive a primeira loja que se tornou modelo em um lugar aconchegante do Memphis.

Atualmente, o mercado faz parte da empresa de suprimentos C&S Wholesale Grocers, e possui mais de 530 lojas em 17 estados americanos.

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