(Fonte da imagem: Reprodução/Seismicity.Net)

É bastante frequente a ocorrência de réplicas toda vez que ocorre um grande terremoto, e há décadas os especialistas tentam compreender como esses abalos afetam a dinâmica das diversas placas tectônicas do planeta para poder predizer quais são os locais que podem ser afetados por sismos subsequentes e qual seria a melhor forma de agir para evitar maiores catástrofes.

E, de acordo com um artigo publicado pelo USGS (U.S. Geological Survey), novos estudos apontam que, ao contrário do que se pensava — de que as réplicas costumam ocorrer apenas nas regiões próximas ao epicentro logo após um abalo importante —, os grandes tremores são capazes de desencadear forte atividade sísmica em todo o planeta, iniciando outros terremotos que não ocorreriam se o abalo principal não tivesse ocorrido.

Os pesquisadores chegaram a essa conclusão depois de avaliar o comportamento do planeta após o forte terremoto que abalou a região de Sumatra em abril deste ano, detectando um enorme aumento no número de sismos em todo o mundo durante os seis dias posteriores ao tremor, que foram sentidos do México ao Japão em maior ou menor escala, sendo a maioria deles potencialmente catastrófica.

Atividade sem precedentes e previsão de desastres

(Fonte da imagem: Reprodução/USGS)

O tremor de abril ofereceu uma oportunidade única de estudo e, segundo os pesquisadores, nenhum outro terremoto registrado por um sismógrafo jamais foi seguido por uma série tão numerosa de réplicas em todo o mundo, sugerindo que as ondas sísmicas, na verdade, causam um grande stress em toda a crosta terrestre, fazendo com que as diversas placas tectônicas respondam ao evento, principalmente as mais próximas ao epicentro.

Outro fator que chamou a atenção dos pesquisadores foi a relativa “tranquilidade” observada dias antes do tremor. Os cientistas compararam os efeitos do abalo a uma árvore repleta de frutos. Enquanto estão verdes, estes ficam presos aos galhos. Porém, quando estão maduros, basta chacoalhar o tronco para que comecem a cair, um após o outro.

Ondas sísmicas

Além disso, os especialistas sugerem que efeitos são observados apenas semanas após um evento principal, descartando a possibilidade de que os grandes terremotos ocorridos durante a última década — como o do sul da Ásia em 2004, o de Sumatra em 2008, o do Chile em 2010 e o do Japão em 2011 — guardem qualquer relação entre si.

Na verdade, depois do grande abalo que ocorreu em 2004, por exemplo, e que originou os devastadores tsunamis que mataram mais de 230 mil pessoas no sul da Ásia, os especialistas registraram uma drástica diminuição na atividade sísmica dessa região.

Os estudos servirão para que os especialistas possam prever com maior precisão a ocorrência e localização das temidas réplicas desencadeadas pelos grandes terremotos, permitindo que essas informações façam parte das análises de risco de determinadas áreas.