'Estalactites de gelo': time-lapse revela um raro fenômeno polar [vídeo]
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'Estalactites de gelo': time-lapse revela um raro fenômeno polar [vídeo]

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Munidos de câmeras especiais para criar time-lapses, especialistas capturaram imagens das colunas de sal que surgem em meio ao oceano. Semelhantes a estalactites, as estruturas se formam a menos de 0° C e fazem com que a água imediatamente ao redor também congele.

Essas formações são conhecidas em inglês por “brinicle”, que é uma mistura das palavras “brine” (salmoura) e “icicle” (estruturas pendentes de gelo semelhante a estalactites). Quando encontra o solo marinho, a trilha de gelo que se forma ameaça ouriços, estrelas-do-mar e demais criaturas que podem acabar congeladas.

O raro fenômeno é conhecido desde a década de 1960, mas o registro feito em 2011 por Hugh Miller e Doug Anderson para a BBC é inédito e impressionante.

Sal e gelo

O surgimento das estalactites de gelo acontece no inverno e sempre foi observado nos polos, ou seja, nos Oceanos Ártico e Antártico. A questão é que o processo de congelamento da água do oceano não é o mesmo da água que colocamos no freezer, por exemplo. Quando a água do oceano congela, apenas as moléculas de H2O congelam, sendo que o sal e outros íons presentes na água se separam. Desse processo surgem as salmouras.

As salmouras se espalham sobre a superfície do gelo e, por serem mais densas do que o restante da água, afundam com facilidade quando encontram uma rachadura. Além da maior densidade, as salmouras também são mais frias do que a água, o que faz com que elas congelem rapidamente enquanto afundam oceano adentro.

O processo dá origem a colunas de gelo que se parecem com estalactites. E a formação não para quando encontra o chão, pelo contrário, ela começa a formar uma trilha congelada que pode ser mortal para uma série de criaturas marinhas que se movem lentamente e não conseguem escapar nem resistir às baixas temperaturas.

Fonte da imagem: Reprodução/Huffington Post

Time-lapse

A equipe da BBC escolheu a região da ilha Little Razorback, na Antártica, para registrar o fenômeno: “Quando estávamos explorando a ilha, encontramos uma área em que haviam ocorrido três ou quatro formações anteriormente e estava acontecendo uma naquele momento”, revela Miller à BBC.

Sem saber ao certo quanto tempo as estruturas precisavam para ganhar forma, os especialistas mergulharam a uma temperatura de -2° C e registraram uma das estalactites que demorou entre cinco e seis horas para se formar.

As imagens capturadas impressionam pela beleza e, principalmente, por serem o primeiro registro da rapidez com que a estrutura toca o solo e transforma tudo o que encontra em seu caminho. Pela dificuldade de chegar ao local e obter esse tipo de registro, a ciência ainda não pode estudar o fenômeno mais detalhadamente.

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