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O que podemos aprender com o estudo de OVNIs?

No final de junho, o governo dos Estados Unidos vai divulgar um relatório contendo dados sobre dez anos de observações de fenômenos para os quais não há explicações. A maioria dos registros — vídeos e fotos — foram feitos por pilotos da marinha-americana e mostram objetos que se movem pelos céus. 

Muitas pessoas acreditam que o reconhecimento da existência de Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs) é a validação de que há vida extraterrestre. O que não é verdade. 

Além disso, os OVNIs não necessariamente são discos voadores. Por definição, como o próprio nome já diz, é um objeto ou luz avistado no céu, terra ou mar e que o homem não consegue explicar baseado nas suas experiências. 

A maioria dos relatos pode ser explicado como fenômenos naturais ou uso tecnologias humanas, mas 25% a 30% dos casos relatados não há uma explicação.

O debate sobre a existência dos OVNIs e a ciência

Embora o estudo sobre os OVNIs tenha extrema relevância, de acordo com Rizwan Virk, graduado do Instituto de tecnologia de Massachusetts (MIT), há uma profunda falta de curiosidade sobre o tema no meio acadêmico, sobretudo pelos tabus e preconceitos criados.

Um dos fatos históricos que pode ter contribuído para o descrédito sobre o assunto foi a icônica situação ocorrida no dia 30 de outubro de 1938, nos EUA, quando um programa de rádio fez uma leitura do livro de ficção científica A Guerra dos Mundos, sem avisar a audiência que era uma dramatização. O resultado foi um pânico geral na costa leste dos Estados Unidos, pois a população acreditou que centenas de marcianos estavam chegando a bordo de naves extraterrestres no estado de Nova Jersey.

Fotografia supostamente tirada por um passageiro de avião na Cidade do México na década de 1950.  (Fonte: Alamy)Fotografia supostamente tirada por um passageiro de avião na Cidade do México na década de 1950.  (Fonte: Alamy)

 Depois desse fato, há centenas de relatos de situações de experiências inexplicáveis, que acabaram sendo desmentidas posteriormente e que afastam ainda mais o interesse científico sobre esses temas. Há ainda parte que considera que os OVNIs são feitos pelo homem, inclusive construído pelo governo americano. 

Contudo, é difícil acreditar que novas tecnologias seriam inventadas, e que governos e empresas pudessem esconder esses avanços por tanto tempo, ignorando as vantagens comerciais que isso poderia trazer.

Afinal, o que podemos aprender ao estudar os OVNIs?

O relatório do Pentágono e de outras agências de inteligência dos Estados Unidos já foi entregue ao Congresso e conclui que a maioria dos cerca de 120 incidentes nos últimos 20 anos não tem nada a ver com o desconhecido. Mas a investigação não explica, por exemplo, o que os pilotos da Marinha Americana viram quando filmaram objetos voando em velocidades quase hipersônicas, que giravam e desapareciam misteriosamente.

Imagem de captura de vídeo gravado por pilotos da Marinha dos EUA (Fonte: Pentágono/Divulgação)Imagem de captura de vídeo gravado por pilotos da Marinha dos EUA (Fonte: Pentágono/Divulgação)

Para Avi Loeb, físico teórico israelita-estadunidense que trabalha com astrofísica e cosmologia, e é ex-presidente do departamento de astronomia da Universidade de Harvard, o estudo dos OVNIs tem a potência de redefinir toda a ciência e levar uma nova compreensão de nosso lugar no universo, trazendo avanços na biologia, física quântica, cosmologia e ciências sociais. 

Se esses objetos representam uma tecnologia alienígena — natural de outro país, forasteiro — há uma possibilidade de serem objetos robóticos, com equipamentos autônomos projetados por uma espécie de inteligência diferente da conhecida na terra. Mesmo que a nossa tecnologia tenha evoluído exponencialmente nos últimos 100 anos, com a internet e todas as aplicações que ela trouxe, uma tecnologia extraterrestre poderia trazer inovações que aos nossos olhos pareceriam mágica.

 Como a maioria das estrelas se formou a bilhões de anos, é concebível que existam civilizações que surgiram a mais tempo que nós e tenham tido tempo suficiente para desenvolver a ciência e tecnologia. Avi acredita que mesmo depois das publicações do Pentágono muitas pessoas continuarão ignorando os fatos, acreditando que somos a única espécie inteligente da Via Láctea. 

O pesquisador reforça que o governo americano tem muito mais dados do que publica, portanto, é um momento oportuno para que a comunidade científica olhe mais de perto os OVNIs na tentativa de coletar, analisar e entender os dados. Para isso, há uma instrumentação necessária que deve envolver câmeras de última geração e telescópios de campo que varrem o céu, além de sistemas que processem esse fluxo de dados. 

Mas independentemente da origem dos OVNIs serem terrestres ou não, com um novo estudo científico e com evidências reproduzíveis, seria possível entender a natureza e tecnologia dos OVNIs, aumentando a confiança pública sobre os avanços desse tema.

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