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Mudanças comportamentais e emocionais que ocorrem na adolescência

Período crucial para a maturação neuropsicológica do cérebro, a adolescência, que inicia-se aos 11 anos segundo a OMS, é palco de modificações significativas nas conexões neuronais com o aumento de quantidade de sinapses; perda da massa cinzenta até os 30 anos de idade; e aumento progressivo de substância branca. As mudanças, principalmente no córtex pré-frontal, área da lógica, manutenção da emoção, organização mental, comportamento, etc., resultam na busca da própria identidade e esta região finaliza sua formação até os 24 anos de idade. Por isso ainda há imaturidade até esta idade.

Oscilação de humor e controle da impulsividade são alguns dos comportamentos. Nesta fase, pode ocorrer o surgimento de trasntornos mentais, envolvimento com atividades de risco e abuso de álcool e drogas. Essas substâncias acionam o sistema de recompensa através da recaptação de neurotransmissores como a noradrenalina, dopamina, serotonina entre outros.

Mas o bloqueio da recaptação da dopamina leva a um aumento de sua concentração na fenda sináptica e o torna mais significativo no processo de prazer associado ao uso dessas substâncias. Com o passar do tempo e o uso contínuo de álcool e drogas, passa a haver menor disponibilidade de dopamina nas sinapses, o que leva à necessidade de consumir mais dessas substâncias na tentativa de recuperar os níveis desses neurotransmissores.

Nesta fase, há uma observação maior do outro, se desvinculando da conexão com os pais como mecanismo reprodutivo hormonal de emancipação. Inclusive, essa percepção de diferentes pontos de vista e o aumento de capacidade intelectual contribuem para o desenvolvimento cognitivo, mas induzem ao gosto pela discussão e manifesto com atitudes contraditórias e criação de razão abstrata pela falta de conhecimento mediante a experiência.

A insegurança ao desbravar o novo aumenta a ansiedade, que resulta em atitudes impulsivas. Por isso, existem os momentos de tristeza e frustração que os colocam em solidão como refúgio e impotência.

A mudança de personalidade, a busca por tribos, distanciamento do colo dos pais. Tudo isso faz parte de um processo evolutivo que está determinado em nosso código genético auxiliado pelo cérebro, hormônios e neurotransmissores. A emancipação para a socialização e busca de um parceiro(a) é um processo biológico que inicia-se na pré-adolescência e segue encontrando reajustes após a formação completa do córtex pré-frontal assim como o equilíbrio das massas cerebrais.

Para um melhor fluído entre pais e filhos a evitar conflitos nesta fase, é crucial que o processo de educação seja gradativo, de acordo com cada fase, sempre representando segurança, afeto, respeito, diálogo, amizade, confiança e coerência nos diálogos.

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Fabiano de Abreu Rodrigues, colunista do Mega Curioso, é Doutor e Mestre em Psicologia da Saúde pela Université Libre des Sciences de l’Homme de Paris; Doutor e Mestre em Ciências da Saúde na área de Psicologia e Neurociência pela Emil Brunner World University; Mestre em psicanálise pelo Instituto e Faculdade Gaio, Unesco; Pós-Graduação em Neuropsicologia pela Cognos de Portugal; Três Pós-Graduações em neurociência; cognitiva, infantil, inteligência artificial, Pós-Graduação em Psicologia Existencial e Antropologia, todas pela Faveni do Brasil; Especialização em Propriedade Elétrica dos Neurônios em Harvard, Neurociência Geral em Harvard; Especialista em Nutrição Clínica pela TrainingHouse de Portugal; Idealismo Filosófico e Visões do Mundo – Universidade Autônoma de Madrid, Introdução à Filosofia da Passagens Escola de Filosofia, História de La Ética pela Universidad Carlos III de Madrid, MBA em Psicologia Positiva – Autorrealização, Propósito e Sentido de Vida – PUC RS.

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