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3 doenças bizarras inventadas para manipular as pessoas

Gota suprimida, autointoxicação intestinal e ovariomania. Essas são apenas algumas das doenças inventadas há mais de 100 anos que causaram uma verdadeira bagunça na sociedade.

Essas condições médicas foram fabricadas através de informações ruins e incompletas, ganhando destaque por meio de seus defensores ou por falta de investigação médica. Engana-se quem imagina que o vasto acesso ao conhecimento combateu esse problema que nos persegue há séculos. Atualmente, existe mais desinformação disponível do que nunca.

"Se você pode fazer as pessoas se preocuparem com um problema inexistente, algo do qual elas não estavam cientes e não entendem, elas podem comprar sua solução apenas para aliviar a preocupação", disse o médico Steven Novella, na revista científica Science-Based Medicine.

Inventar condições médicas se tornou a verdadeira doença da sociedade, usada para controlar pessoas ou alimentar o capitalismo, como mostram essas abaixo.

"Rosto de bicicleta"

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Quando a sociedade machista do século XIX percebeu que as mulheres estavam querendo buscar seu lugar na malha social, foi feito de tudo para colocá-las diante de um fogão e deixá-las dedicadas exclusivamente aos maridos e filhos novamente.

Arthur Shadwell, médico especializado em saúde pública, chegou a inventar em 1890 a condição "rosto de bicicleta" para impedir que as mulheres começassem a andar por conta própria.

O veículo permitiu às mulheres novas liberdades e incentivou também a prática de atividades físicas, chegando a ditar a moda com novas maneiras de se vestir. Com seu surgimento veio também, obviamente, a maré de oposições — em sua maioria de homens.

(Fonte: El País/Reprodução)(Fonte: El País/Reprodução)

Como relata uma matéria da Vox, os médicos passaram metade da década de 1890 disseminando a informação de que usar bicicleta deformaria o rosto das mulheres devido à expressão de cansaço após vários quilômetros pedalados. Foi declarado que elas poderiam adquirir para sempre sombras escuras sob os olhos, maxilar protuberante, palidez e olhos esbugalhados.

Enquanto alguns dos médicos diziam que essas consequências teriam ligação com o esforço físico de pedalar ou equilibrar a bicicleta, outros alegavam que era uma penitência de Deus por violarem as regras impostas pela Bíblia Sagrada.

A bexiga hiperativa

(Fonte: PNGItem/Reprodução)(Fonte: PNGItem/Reprodução)

Na virada do século XXI, de repente urinar se tornou uma necessidade fisiológica que precisava ser controlada. Como mostra uma matéria do Milwaukee Journal Sentinel, dois urologistas universitários apresentaram a condição em conferências médicas em 2001, após realizarem uma pesquisa por telefone perguntando quantas vezes ao dia as pessoas precisavam ir ao banheiro. O estudo constatou que cerca de 33 milhões de norte-americanos sofriam da chamada "bexiga hiperativa", pois segundo os urologistas não era normal para o ser humano ir ao banheiro tantas vezes por dia.

Ironicamente ou não, todas as conferências em que a pesquisa foi apresentada receberam patrocínio de empresas farmacêuticas, que passaram a promover a cura da "doença" com medicamentos. Só entre 2013 e 2016, os remédios para tratar a suposta bexiga hiperativa foram associados a quase 200 mortes.

O Food and Drug Administration (FDA) recebeu mais de 12 mil reclamações sobre os comprimidos e seus efeitos colaterais.

Os malefícios da leitura

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Livros e a leitura sempre foram sinônimos de progresso e independência, e foi por isso que, no século XIX, eles se tornaram a fonte de todos os tipos de problemas médicos para poder manter as mulheres onde elas "deveriam ficar".

Profissionais médicos e defensores da educação masculina escreveram que a mulher que passava muito tempo com o nariz em um livro poderia desenvolver "pensamentos inadequados". Também foram atribuídos danos cerebrais e oculares, degeneração do sistema nervoso, depravação feminina, decadência moral e até morte prematura.

Além disso, os médicos foram pontuais e cruéis ao sugerirem que todo o esforço colocado para ler um livro poderia afetar o sistema reprodutivo feminino, que teria que fazer uma força sobre-humana para se manter saudável e fértil diante de tanta energia sendo perdida. Ler livros sobre mistério, por exemplo, acarretaria um subdesenvolvimento dos ovários.

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